Nem toda criação genial teve vida longa em todo lugar. Algumas foram banidas por questões de saúde, meio ambiente ou até por vandalismo urbano.
A lista de invenções proibidas em alguns países é maior do que parece. Coisas que muita gente considera banais, como um chiclete, uma lâmpada ou um andador de bebê, viraram alvo de leis rígidas mundo afora. Os motivos variam bastante: em uns casos, o problema é o risco à saúde. Em outros, o impacto ambiental. E há até situações em que a razão foi manter a cidade limpa. Reunimos abaixo 16 invenções que já foram banidas em diferentes cantos do planeta, com o contexto por trás de cada decisão.
1. Chiclete (Singapura)
Em Singapura, a venda e a importação de chiclete são proibidas desde 1992. A medida foi criada para reduzir a sujeira e o vandalismo em espaços públicos, principalmente no metrô, onde goma de mascar era colada nos sensores das portas dos trens.
Vale lembrar que mascar chiclete em si não é crime por lá. O que a lei veta é vender e importar, com exceção da goma terapêutica e de nicotina, liberada desde 2004 mediante prescrição. Sobre o efeito da regra na criatividade, o ex-primeiro-ministro Lee Kuan Yew respondeu com bom humor:
Se você não consegue pensar porque não pode mascar, experimente uma banana.
Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro de Singapura
2. Ovos de chocolate com brinquedo dentro (Estados Unidos)
O clássico Kinder Ovo ficou décadas fora do mercado americano. O motivo é uma lei de 1938 que proíbe embutir objetos não comestíveis dentro de doces, por causa do risco de engasgo em crianças pequenas.
Inclusive, a regra gerou até contrabando. Segundo a alfândega dos Estados Unidos, mais de 60 mil ovos foram apreendidos em fronteiras apenas em 2011.
3. Andador de bebê (Canadá)
O andador de bebê com rodinhas é proibido no Canadá desde 2004. O país foi o primeiro do mundo a banir a venda, a importação e a publicidade do produto, incluindo itens usados.
A decisão veio após anos de relatos de quedas e lesões graves, sobretudo em escadas. Quem descumpre a norma pode enfrentar multas altas.
4. Lâmpada incandescente (Austrália e outros)
A velha lâmpada incandescente foi saindo de cena em vários lugares. A Austrália começou a restringir o produto a partir de 2007, e a União Europeia também adotou uma eliminação gradual.
O objetivo, nesses casos, foi trocar a tecnologia por opções mais eficientes em energia, como as lâmpadas de LED.
5. Cigarro eletrônico e vape (Tailândia)
Na Tailândia, o cigarro eletrônico é levado a sério. Desde 2014, o país proíbe importação, exportação, venda e posse de produtos de vaping.
Por outro lado, o alerta vale também para turistas, que podem enfrentar multas pesadas ou complicações legais ao entrar com o dispositivo.
6. Canudos plásticos e descartáveis de uso único (União Europeia)
Desde julho de 2021, a União Europeia baniu uma série de plásticos de uso único, como canudos, talheres, pratos e hastes de cotonete. A meta é reduzir o lixo que chega aos oceanos.
Alguns países foram ainda mais longe. Vanuatu e Seychelles, por exemplo, chegaram a proibir totalmente os canudos plásticos.
7. Sacola plástica fina (Bangladesh e Quênia)
A sacola plástica fininha, comum em qualquer mercado, é proibida em vários países. Bangladesh foi o primeiro a banir esse tipo de sacola, em 2002, depois que elas entupiram sistemas de drenagem e agravaram enchentes.
O Quênia, por sua vez, adotou uma das legislações mais duras do mundo contra o item.
8. Câmara de bronzeamento artificial (Brasil)
Aqui no Brasil, a câmara de bronzeamento artificial para fins estéticos é proibida desde 2009, por meio da RDC 56 da ANVISA. O país foi pioneiro no tema, ao lado de nações como Austrália e Irã.
A base da decisão foi científica. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, ligada à OMS, classificou o uso desses equipamentos como cancerígeno para humanos.
9. Amianto (Brasil e mais de 60 países)
Muito usado em telhas e caixas d’água, o amianto (ou asbesto) foi banido no Brasil pelo STF em 2017. A Corte proibiu a extração, o uso e a comercialização da fibra do tipo crisotila.
Ou seja, a decisão levou em conta o consenso de que o material é cancerígeno, associado a doenças como o mesotelioma. Mais de 60 países também baniram a substância.
10. Gasolina com chumbo (praticamente o mundo todo)
A gasolina com chumbo, criada nos anos 1920 com o aditivo tetraetila de chumbo, foi um dos maiores banimentos globais da história. Por décadas, ela contaminou ar, solo e alimentos.
O Japão foi o primeiro a proibi-la por completo, na década de 1980. Já a Argélia, segundo a ONU, foi o último país a parar de vendê-la, em 2021, encerrando a era desse combustível nas ruas.
11. Aerossóis com CFC (acordo global)
Os clorofluorcarbonos, os famosos CFCs usados em aerossóis e refrigeração, foram praticamente eliminados no mundo inteiro. O motivo é que eles destruíam a camada de ozônio, que protege a Terra da radiação ultravioleta.
Essa virada veio com o Protocolo de Montreal, tratado internacional adotado em 1987 para eliminar substâncias que agridem o ozônio.
12. Absinto (Estados Unidos e outros)
A famosa “fada verde” já foi tratada como vilã. O absinto, bebida à base de ervas como o absinto-comum, ficou proibido nos Estados Unidos de 1912 a 2007.
Na época, a bebida era acusada de provocar alucinações e comportamentos perigosos. No entanto, com o passar dos anos, a proibição foi revista e o produto voltou a ser liberado.
13. TikTok (Índia e outros)
Nem os aplicativos escapam da lista. O TikTok chegou a ser banido em nível nacional na Índia, além de enfrentar proibições em lugares como Irã e Afeganistão.
Entre as justificativas citadas para os bloqueios totais estão preocupações com segurança de dados e segurança nacional.
14. DDT (inseticida)
O DDT já foi celebrado como solução para combater pragas e doenças, tanto que rendeu um Nobel ao seu descobridor, o químico Paul Hermann Müller, em 1948. Com o tempo, porém, virou símbolo do movimento ambientalista.
Após o livro “Primavera Silenciosa” (Silent Spring), de Rachel Carson, o pesticida foi banido em diversos países, entre eles os Estados Unidos em 1972. No Brasil, sua proibição total veio em 2009.
15. Microesferas plásticas em cosméticos
Aquelas microesferas plásticas usadas para esfoliar, presentes em sabonetes, cremes e cremes dentais, também caíram na mira das leis. Elas são minúsculas e acabam poluindo rios e oceanos.
A Holanda foi o primeiro país a banir o item em cosméticos, em 2014. Em seguida vieram Estados Unidos, com uma lei federal de 2015, e Reino Unido, entre outros.
16. Produtos de unha em gel com TPO e DMPT (Brasil e União Europeia)
Fecha a lista uma proibição bem recente. A ANVISA vetou no Brasil o uso de substâncias como TPO e DMPT, presentes em alguns produtos de unha em gel e esmaltes que precisam de luz UV ou LED.
Por fim, a medida alinhou o país aos padrões da União Europeia. Estudos internacionais associaram o DMPT ao risco de câncer, o que motivou o banimento.
E você, já conhecia todas essas proibições?
De um simples chiclete a um aplicativo bilionário, essas invenções mostram como um produto comum em um país pode ser totalmente proibido em outro. Qual dessas proibições te surpreendeu mais? Comenta aqui e marca aquele amigo que jura que já viu tudo sobre curiosidades.

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