Nem todo romance no cinema termina em suspiro. Alguns terminam em vaia, prejuízo milionário e um troféu de Framboesa de Ouro.
Falar dos piores filmes românticos da história é falar de produções que juntaram estrelas gigantes, orçamentos enormes e, ainda assim, entregaram histórias de amor sem química, sem graça e, em alguns casos, sem noção. A lista a seguir reúne oito longas detonados pela crítica especializada, arrasados em agregadores como o Rotten Tomatoes e consagrados no Framboesa de Ouro, a premiação que celebra o pior do cinema. Prepare a pipoca (ou a coragem).
1. “Gigli” (2003)

Se existe um pôster para o fracasso romântico em Hollywood, ele tem o rosto de Ben Affleck e Jennifer Lopez. Lançado no auge do romance real entre os dois, “Gigli” virou piada instantânea. A trama mistura máfia, sequestro e uma tentativa desengonçada de comédia romântica.
O resultado entrou para a história: o longa levou seis Framboesas de Ouro e se tornou o primeiro filme a vencer as seis categorias principais do prêmio, incluindo Pior Filme, Pior Ator, Pior Atriz e Pior Casal. No Rotten Tomatoes, a aprovação da crítica ficou na casa dos 6%. Financeiramente, também foi um desastre: o custo passou dos US$ 70 milhões e a bilheteria não chegou perto disso.
2. “Destino Insólito” (Swept Away, 2002)

Guy Ritchie dirigindo Madonna, sua esposa na época, em uma refilmagem de um clássico italiano. No papel, parecia ousado. Na tela, foi um naufrágio literal e figurado.
A história de uma socialite mimada presa em uma ilha deserta com um marinheiro rendeu cinco Framboesas de Ouro, entre elas Pior Filme, Pior Diretor e Pior Atriz para Madonna. A bilheteria americana ficou abaixo de US$ 600 mil, e a aprovação da crítica no Rotten Tomatoes gira em torno de 5%. Vale lembrar: o filme sequer chegou a ganhar circuito comercial no Brasil.
3. “Cinquenta Tons de Cinza” (Fifty Shades of Grey, 2015)

Poucos filmes venderam tantos ingressos sendo tão criticados. A adaptação do best-seller de E.L. James lotou salas mundo afora, mas foi massacrada por quem escreve sobre cinema.
No Framboesa de Ouro de 2016, “Cinquenta Tons de Cinza” abocanhou cinco troféus: Pior Filme (empatado com “Quarteto Fantástico”), Pior Ator para Jamie Dornan, Pior Atriz para Dakota Johnson, Pior Casal e Pior Roteiro. Ou seja, o casal mais comentado da década também foi eleito o menos convincente.
4. “365 Dias” (365 Dni, 2020)

O fenômeno polonês da Netflix é um caso raro: bombou entre o público e recebeu 0% de aprovação no Rotten Tomatoes, uma marca alcançada por pouquíssimos filmes na história do site.
Além da avaliação zerada, o longa enfrentou críticas pesadas por romantizar um sequestro, já que a protagonista se apaixona pelo mafioso que a mantém em cativeiro. O filme foi um dos mais lembrados no Framboesa de Ouro e levou a estatueta de Pior Roteiro. Inclusive, a cantora Duffy chegou a escrever publicamente à Netflix pedindo a retirada do título do catálogo.
5. “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2” (2012)

Antes de qualquer coisa: a franquia tem fãs apaixonados, e isso ninguém tira. Mas a crítica nunca embarcou no romance entre Bella e Edward.
O capítulo final da saga foi o mais castigado de todos. “Amanhecer – Parte 2” levou sete Framboesas de Ouro, incluindo Pior Filme, o que soou como um acerto de contas com a franquia inteira. Por outro lado, a bilheteria bilionária provou que crítica e público raramente assistem ao mesmo filme.
6. “The Hottie and the Nottie” (2008)

Estrelado por Paris Hilton no auge da fama, este é um dos casos mais brutais de rejeição total. A premissa já não ajudava: um rapaz só consegue namorar a garota dos seus sonhos se antes arrumar um par para a melhor amiga dela, retratada como “feia” de forma quase cruel.
A crítica foi implacável. O filme carrega uma das piores notas já registradas no Metacritic, aprovação de um dígito no Rotten Tomatoes e rendeu a Paris Hilton o Framboesa de Ouro de Pior Atriz. A bilheteria de estreia nos Estados Unidos foi tão baixa que virou anedota no jornalismo de cinema. No Reino Unido, a distribuidora chegou a divulgar o longa ironicamente como “o filme número 1”, em referência ao topo da lista dos piores do IMDb.
7. “The Room” (2003)

Aqui a história muda de figura. “The Room”, escrito, dirigido, produzido e estrelado por Tommy Wiseau, foi concebido como um drama poderoso sobre amor e traição. Virou outra coisa completamente diferente.
Com diálogos incompreensíveis, atuações travadas e cenas que parecem desconectadas entre si, o filme se transformou no exemplo definitivo de “tão ruim que fica bom”. Hoje é um clássico cult, exibido em sessões noturnas com plateias que decoram as falas. Como romance, é um fracasso absoluto. Como fenômeno de internet, é imbatível.
8. “From Justin to Kelly” (2003)

Um musical romântico de férias de primavera protagonizado pelos finalistas de um reality show de música. O que poderia dar errado? Praticamente tudo.
O longa recebeu oito indicações ao Framboesa de Ouro na mesma edição dominada por “Gigli”. Chegou até a ganhar um prêmio especial criado sob medida, já que não se encaixava direito em nenhuma categoria existente. É citado com frequência entre os maiores desastres do gênero musical romântico. Vale lembrar que o filme não recebeu título oficial em português no Brasil.
Por que romances ruins fazem tanto barulho?
O romance é o gênero mais vulnerável ao desastre por um motivo simples: ele depende de química. Efeitos especiais não salvam uma cena de beijo. Trilha sonora não conserta um diálogo sem alma.
Quando o casal não convence, tudo desmorona. Não por acaso, quase todos os filmes desta lista foram premiados justamente na categoria de Pior Casal do Framboesa de Ouro. No entanto, alguns deles ganharam vida nova exatamente por serem ruins, virando maratona entre amigos e material infinito de meme.
E você, sobreviveu a algum desses?
Seja por curiosidade, por obrigação em um date ou porque simplesmente rolava na TV em uma tarde de domingo, é quase impossível não ter esbarrado em pelo menos um desses títulos.
Conta pra gente nos comentários: qual foi o pior filme romântico que você já assistiu até o fim? E marca aquele amigo que jura que “Cinquenta Tons de Cinza” é bom.

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