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Mulheres levam denúncias de agressão para as redes sociais

Situações estão sendo cada vez mais expostas para público na internet

Mulheres agredidas por ex ou atuais companheiros estão preferindo se expor em redes sociais a ficarem caladas. Dois casos recentes tiveram grande repercussão no interior de São Paulo.

No dia 14 de novembro, a vendedora Carla Regina Januário, de 29 anos, postou fotos do próprio rosto inchado para dar um “basta” às agressões do ex-namorado, em Votuporanga.

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Já no fim do mês de novembro, foi a irmã da cabeleireira Mariana Lima dos Santos, de 25 anos, quem tomou a iniciativa de expor no Facebook o rosto dela com o olho roxo, após ser agredida pelo ex. Encorajada, Mariana repetiu a postagem em sua página na rede social.

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Para a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itapetininga, Leila Tardelli, a exposição é uma atitude corajosa e contribui para dar visibilidade ao problema. “A gente lida com muitos casos, alguns mais graves que este, envolvendo até violência sexual.

Observo que o registro desse tipo de violência tem aumentado e quero acreditar que é porque as mulheres estão denunciando mais. Com o uso da rede social, a questão ganha mais visibilidade.”

A delegada lembra que a maioria das vítimas prefere não se expor, pelo risco de ser vitimizada pela segunda vez. “Às vezes a mulher se sente tão desprotegida que acaba recorrendo a esse meio em busca de apoio.”

Foi o que aconteceu com Mariana. Cercada pelo ex-namorado quando levava uma amiga pela praça, ela foi ameaçada e agredida com violência. A irmã Thais Cristina dos Santos, de 23 anos, a levou a uma unidade médica e, em seguida, para o plantão da Polícia Civil. “Eles estavam ocupados com um flagrante e falaram para irmos na Delegacia da Mulher no dia seguinte. Não consegui me conter, fiz as fotos e postei.”

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Mariana se encorajou e também desabafou em sua página. “Meu Deus, que dor. Não são os hematomas, mas a dor da alma.” A Justiça deferiu medida protetiva contra o agressor. O pedido de prisão não foi aceito.

Em Valentim Gentil, também no interior paulista, onde Carla passou a morar após apanhar do ex, ela conta que passou a andar com a medida protetiva dada pela Justiça. “Levo (o documento) para cima e para baixo, mas tenho receio. Ele vai ser chamado e o juiz vai decidir. Por mais que eu goste, tenho de pensar em mim.” Ela voltava de uma pizzaria com o namorado – já estavam morando juntos – quando, em uma discussão banal, ele passou a agredi-la. Carla desceu do carro e pediu ajuda.

A Polícia Militar localizou o rapaz e levou ao plantão da Polícia Civil. O agressor recebeu voz de prisão por lesões corporais e ameaça, mas pagou fiança de 1 salário mínimo e foi solto. “Fiquei revoltada e postei, não só pelo meu caso, mas para encorajar outras mulheres que são agredidas como eu fui”, disse Carla. A postagem teve 4,7 mil visualizações.

A reportagem entrou em contato com o acusado de agressão a Carla, mas o rapaz alegou que foi orientado pelo seu advogado a não se manifestar. Também foi procurado o agressor de Mariana, mas, segundo a Polícia Civil, ele está foragido.

Denúncia

A delegada Ana Luiza Salomone, da DDM de Sorocaba, alerta que é preciso sempre fazer a denúncia formal para que o crime possa ser investigado e o agressor, punido.

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“As fotos e a publicação em rede social podem ser usadas como prova, mas é preciso procurar a polícia para que seja requisitado o exame de corpo de delito e, se for o caso, pedida a medida protetiva. Sem essas providências, o agressor não será punido e a vítima pode ficar ainda mais exposta.”

Segundo ela, a medida de proteção é deferida quando se vê risco iminente à vida ou à integridade física.

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