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Regina Duarte decide fazer ‘teste’ antes de aceitar cargo de Secretária de Cultura

A TV Globo emitiu nota lembrando à atriz que ela precisará se desligar da empresa caso aceite a proposta

Foto: Reprodução/Twitter

O nome da atriz Regina Duarte tem sido um dos assuntos mais comentados das redes sociais durante essa semana. O motivo é inusitado: ela foi convidada pelo presidente Jair Bolsonaro a assumir a Secretaria de Cultura de seu governo – o cargo vagou após a polêmica envolvendo seu ocupante anterior, Roberto Alvim.

Com dúvidas sobre estar preparada para o cargo, Regina teve um encontro com o presidente nesta segunda-feira (20). Eles afirmaram que a reunião funcionou como um “noivado”. Agora, ela fará uma espécie de teste, em Brasília, antes de decidir se assumirá a posição política.

Em meio à novidade, a TV Globo emitiu uma nota oficial e o clima acabou pesando na emissora. O texto foi lido, ao vivo, pelo jornalista William Bonner durante o ‘Jornal Nacional’ desta segunda. O tom do comunicado foi fúnebre e lembrou à Regina que, caso aceite a proposta, ela precisará se desligar da empresa – com quem tem um contrato que já dura cerca de 50 anos.

“A atriz Regina Duarte tem contrato vigente com a Globo e sabe que, se optar por assumir cargo público, deve pedir a suspensão de seu vínculo com a emissora, como impõe a nossa política interna de conhecimento de todos os colaboradores”, diz a emissora.

Assista:

 

Bolsonaro, por sua vez, utilizou sua conta oficial do Twitter para publicar um registro do encontro. Ele legendou: “Tivemos uma excelente conversa sobre o futuro da cultura no Brasil. Iniciamos um ‘noivado’ que possivelmente trará frutos ao país”.

Veja:

A carreira de Regina Duarte: a namoradinha do Brasil

Regina Duarte tem 72 anos de idade, é mãe de três filhos e avó de seis netos. Como atriz, atua há 54 anos. Seu longo vínculo com a TV Globo, emissora com quem Jair Bolsonaro tem uma relação conflituosa, existe desde 1969, com uma breve interrupção entre 1984 e 1985.

É de amplo conhecimento que a emissora, em sua política interna, proíbe a seus contratados que assumam cargos públicos.

Regina atuou em uma dezena de novelas nos anos 1960 na TV Excelsior, mas estreou na Globo em ‘Véu de Noiva’, de Janete Clair, dirigida por Daniel Filho, em 1969. Nos primeiros anos de Regina na Globo, ela atuou em várias outras célebres novelas, como ‘Irmãos Coragem’ (1970), ‘Selva de Pedra’ (1972), ‘Carinhoso’ (1973), ‘Fogo Sobre Terra’ (1974) e ‘Sétimo Sentido’ (1982).

Em 1971, ganhou o apelido que carrega até hoje: “a namoradinha do Brasil” (por causa de ‘Minha Doce Namorada’). Além disso, fez a lendária série feminista ‘Malu Mulher’ (1979-80).

Entre 1984 e 1985, Regina Duarte saiu da Globo para atuar no seriado ‘Joana’, de Manoel Carlos, uma produção independente exibida na Manchete – e depois no SBT. Voltou à emissora em 1985 para viver a Viúva Porcina de ‘Roque Santeiro’ – um de seus trabalhos mais lembrados. Depois, fez mais outros três sucessos: ‘Vale Tudo’ (1988), ‘Rainha da Sucata’ (1990) e ‘Por Amor’ (1997).

Nos anos 2000, os papéis de destaque de Regina começaram a ser mais raros. Em 2011, atuou como Clô Hayalla no remake de ‘O Astro’ – e foi amplamente criticada pela atuação. Em 2017 e 2018, fez um papel secundário em ‘Tempo de Amar’, sua última aparição na TV.

Ao completar seus 70 anos de idade, a atriz concedeu uma entrevista ao jornal ‘O Globo’ em que admitiu que a falta de bons papéis a incomodava. “Isso me gerou muita frustração no começo, mas eu me acostumei”, afirmou.

 

Regina Duarte como Secretária de Cultura

Se aceitar a proposta, Regina Duarte será a nova Secretária de Cultura no lugar de Roberto Alvim, dramaturgo, demitido na última sexta-feira (17) após fazer um discurso com trechos que remetem a uma fala do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels.

Na ocasião, Roberto até utilizou como música de fundo uma ópera do compositor alemão Richard Wagner, o preferido do líder nazista Adolf Hitler. A situação gerou enorme desconforto e discussões em todo o país.

“Após conversa produtiva com o presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira, 22, para conhecer a Secretaria Especial de Cultura do governo federal”, informou, em nota, a assessoria do Palácio do Planalto.

Regina Duarte e a política: “Sempre fui conservadora”

Não é de hoje que Regina Duarte vem se mostrando uma pessoa conservadora e com posicionamento político declaradamente de direita. Em novembro de 2006, Regina falou ao jornal ‘Folha de S. Paulo’ sobre sua “decepção” com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na mesma entrevista, ela revelou como surgiu seu interesse por política. “Desde quando fiquei grávida do meu primeiro filho, que agora fez 33 anos, comecei a me interessar por política”, disse.

“Se quero um mundo melhor, não adianta ficar romanticamente desejando. Tem que votar direito, conhecer os candidatos e se engajar em algumas causas de interesse geral da nação”, completou na época.

Em entrevista ao ‘Conversa com Bial’, na TV Globo em 2019, Regina revelou que vinha sendo chamada de “fascista” nas redes sociais por seu apoio a Bolsonaro e suas posições conservadoras. “Em 2002 eu fui chamada de terrorista e hoje sou chamada de fascista, olha que intolerância”, afirmou.

“E eu achando que vivia em uma democracia, onde eu tenho o direito de pensar de acordo com o que eu quero. Eu respeito todo mundo que pensa diferente de mim. Não saio xingando as pessoas por aí”, continuou.

Mesmo tendo atuado como a feminista Malu, na novela ‘Malu Mulher’, de 1980, que se posicionava contra os valores morais da época, Regina disse na mesma entrevista que nunca se declarou feminista.

“Eu nunca me declarei feminista. Mesmo fazendo a Malu. Eu não acho que as coisas são por aí. Acredito que há caminhos intermediários. Eu fui e continuo conservadora”, disse.

Quando aconteceu o impeachment que levou à derrubada de Dilma Rousseff (PT) do poder, em 2016, Regina se manifestou várias vezes a favor da saída da petista.

“Havia tanta esperança nesse governo e ele frustrou um país de uma forma muito agressiva, violenta. Acredito ser extremamente importante o país passar por essa dor [impeachment], para cada cidadão aprender a cidadania, aprender que um bom governo não cai do céu”, disse a atriz em entrevista ao canal português ‘TVI’ na época.

A relação de Regina Duarte com Jair Bolsonaro

Regina conheceu Jair Bolsonaro em 2018, durante a campanha eleitoral, com quem teve um encontro de uma hora com o então candidato, juntamente com sua amiga, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Antes e depois disso, mais de uma vez a atriz defendeu o presidente.

Depois do encontro que tiveram,em 2018, ela afirmou, em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, que ele não era machista, racista ou homofóbico como dizem, mas sim “um homem doce” e “um homem dos anos 50”. Segundo ela, as falas mais criticadas ditas por Bolsonaro eram “da boca pra fora”.

Segundo Regina, ele tem “um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e que dizia que lugar de negro é na cozinha”, afirmou.

Na mesma entrevista ela disse que a imagem que Bolsonaro tem foi montada por seus opositores. “São imagens montadas, pois mostram a reação dele, mas não a de quem provocou a reação. É unilateral. Quando souberam que ele ia se candidatar, começaram a editar todas as gravações e também a provocá-lo para que reagisse a seu estilo, que é brincalhão, machão”, defendeu.

Em 2019, Regina, mais uma vez, se posicionou ao lado do presidente e defendeu o corte de gastos nas áreas de educação e cultura, no mesmo momento em que muitos artistas criticavam o corte feito por Bolsonaro.

“O momento agora é de sanar o problema, controlar os gastos. Quem não entender está sendo muito egoísta nas suas ambições. Eu acredito e confio no nosso presidente e tenho certeza de que daqui a pouco o Brasil vai se equilibrar, e as coisas vão melhorar”, disse.

As publicações feitas por Regina Duarte nas redes sociais também demonstram seu apoio ao governo. Além do presidente, também ao Ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz federal Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes. Ela também publicou frases defendendo a Operação Lava Jato e ações do governo na segurança e combate à corrupção.

Classe artística critica escolha de Regina Duarte para o governo

Após o convite de Jair Bolsonaro – e a resposta “mais positiva do que negativa” de Regina Duarte – a classe artística começou a criticar a possível ida da atriz para a Secretaria de Cultura.

Zé de Abreu, Ana de Hollanda, Gregório Duvivier, Kleber Mendonça Filho, Débora Diniz e Pablo Villaça são algumas das personalidades que opinaram sobre a ligação entre Regina Duarte e Bolsonaro.

“Não posso comemorar o fato de Regina Duarte assumir [o cargo] pois eu esperava dela um posicionamento mais firme em relação às declarações de Bolsonaro, de quando ele fala de filtro e faz defesa da censura. Como artista, ela devia ter se posicionado. Fico assustada com ela agora aceitar essas posições do Bolsonaro, que são antagônicas a liberdade na cultura”, disse a ex-Ministra da Cultura Ana de Hollanda.

A antropóloga Debora Diniz tuitou criticando o “teste” que Regina fará na Secretaria de Cultura de Bolsonaro: “Regina Duarte se move como as mocinhas puritanas do passado. Aceitou o noivado. Viverá um ‘teste’ como Secretária de Cultura. A vida real não aceita testes. A política não é uma novela de mocinhas nem para puritanas protegidas pelo homem santo”, escreveu.

Zé de Abreu, que já sustenta uma antiga inimizade com a atriz, enumerou os atributos da equipe de Jair Bolsonaro em sua opinião: “analfabetos, milicianos, corruptos, nazistas, militares e policiais assassinos, torturadores, pedófilos”. Ele não titubeou ao completar que Regina Duarte “está preparada”, deixando implícito que ela também tem todas as características citadas.

“O nível de despreparo do ‘governo’ Bolsonaro: Regina Duarte diz que vai fazer um PERÍODO DE TESTES à frente da Secretaria de Cultura. Já viram algo assim? A pessoa brincar de assumir uma pasta pra ver se gosta?”, questionou o crítico cinematográfico Pablo Villaça.

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