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Brasileira percorre América Latina fazendo trabalhos voluntários com um Fusca

Yamara viajou para os Estados Unidos com pouco dinheiro e com o sonho de conhecer Justin Bieber

“Fazia tempo que a rotina de escritório não me agradava, perdi as contas de quantas vezes voltei chorando no transporte público me questionando sobre a vida. Há quem diga que isso é viver, mas isso definitivamente não era para mim”.

Foi com esse desabafo que Yamara Silva, publicitária de família humilde e nascida em Interlagos, na zona sul de São Paulo, decidiu se reinventar. Ela pegou um voo para Califórnia, nos Estados Unidos, em março deste ano, com pouco dinheiro e sem ter a menor ideia do que lhe esperava. “Saí sem saber o que fazer da vida, com vontade de encontrar o caminho para a felicidade”, explica.

Yamara, de 27 anos, chegou a alugar um carro para dormir – por ser mais barato que uma casa -, trabalhou entregando comida, pedia dinheiro na rua e fazia uma refeição por dia no país. “Não lembro ao certo quanto de grana levei. Passei os maiores perrengues da minha vida e agradeço ao McDonald’s por oferecer comida a um dólar”, brinca. “Jamais imaginei conquistar tantos sonhos em uma única aventura”, completa.

No entanto, o esforço não foi em vão: ela queria conhecer seu ídolo Justin Bieber e comprar um Fusca amarelo para Sandra Regina, sua mãe, de 54 anos, que teve um carro igual roubado quando a jovem ainda era pequena.

Determinada em conhecer o cantor, ela acompanhou a agenda dele, viajou para San Diego e o conheceu em frente a um mercado da cidade, em maio. “Cheguei pertinho e falei logo ‘hey Justin, I don’t speak english very well meu filho, but I love you muito pu** que pa***, você é fo**’, e desse jeitinho nos entendemos”, relata. “Ele sorriu e falou que ‘tudo bem’, perguntou de onde eu era e eu quis berrar ‘Brasil, viado. Você acredita?’. Gastei todo meu inglês e mandei um ‘inspiration for me viu, you know? You are amazing’. Ele agradeceu o carinho e a gente se abraçou”, completa. Veja abaixo o momento.

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Não fui capaz de voltar pra terra ainda. Ontem eu botei a cabeça no travesseiro e chorei com cada mensagem de carinho que recebi, mensagens de pessoas do mundo inteiro, pessoas que queriam estar no meu lugar, que sentiram que são capazes de realizar seus sonhos, que compartilharam e vibraram junto comigo essa conquista. “Você viu que ele postou a foto de vocês?” Eu viiii, eu chorei, eu berrei, eu me taquei no chão, sabe por que? O meu objetivo maior no momento foi saber se ele tava bem, mostrar que eu realmente me importava com ele como ser humano. Eu consegui dizer, mesmo que com os olhos, o tanto que admirava ele por inspirar as pessoas… E ele achou um “excesso de fofura” ? . . Eu desejei, eu acreditei, eu fui atrás, eu nunca pensei em desistir. Eu acordei no meio da noite decidida a chegar nele de alguma forma, mas eu nunca, nem no meu maior sonho, imaginei que eu teria um ensaio de fotos caminhando em Beverly Hills com o Justin Bieber, um vídeo, e ainda ter a nossa foto postada por ele. Mas as vezes a vida da dessas né, viado? ? #NeverSayNever

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Quatro meses se passaram e ela comprou um Fusca amarelo conversível de 1972 para sua mãe, após trabalhar muito e conhecer pessoas que a ajudaram. “Às vezes a gente precisa mais de cara e coragem do que de dinheiro, e você vai descobrir que tem muitas oportunidades e muita gente boa nesse mundo”, assegura.

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Quando eu era criança vi minha mãe batalhar muito pra comprar um Fusca amarelo, e com muito sacrifício ela conquistou o danado. Pouco tempo depois esse Fusca foi roubado e a Véia nunca mais encontrou. Esse ano eu botei na cabeça que devolveria esse Fusca amarelo do jeitinho que ela conquistou o primeiro, com muito sacrifício. Regina ele ainda não é nosso, mas eu já avisei o moço que eu volto pra buscar. Essa vai ser pra você e pra mostrar pra muita gente o valor das nossas conquistas. A partir de 01.09 vai ser eu e o Fusca amarelo no #DeVoltaPraRegina” ❤️ . . Apoio: @lucasescartin | O mecânico/negociador/trambiqueiro @jessicabbini | Manja tudo de importação e exportação e já tá pesquisando como nóis vai entrar no Brasil com o danado @rafaelrossener e @fnakao – Captação e Video | Por terem ido lá em casa gravar a reação da Regina pra nóis fazer um vídeo dessa Trip toda.

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Parecia que a aventura tinha acabado, mas, vendo o apoio financeiro das pessoas que se solidarizaram com ela pelas postagens do Instagram, Yamara foi além e criou a campanha solidária Quilômetros do Bem, em que percorreu a América Latina fazendo trabalhos voluntários em 12 países por dez semanas, de setembro a novembro. “Queria retribuir a ajuda que eu estava recebendo”, explica.

Ela ajudou orfanatos, asilos, limpou praias, visitou abrigos de animais abandonados e começou a vender camisetas do projeto para se sustentar. Uma das primeiras instituições que Yamara visitou foi a Naturalia, no México, que promove iniciativas que ajudam a preservar a natureza e proteger animais em perigo de extinção.

“Uma das coisas que disseram foi que a construção do muro na fronteira do país com os EUA rompeu o corredor biológico e atrapalhou a conservação dos animais, prejudicando a fauna e flora local”, escreveu em seu perfil no Instagram.

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A Naturalia é uma organização sem fins lucrativos, que promove iniciativas que ajudam a preservar a natureza e proteger os animais que estão em perigo de extinção. . . Batemos um papo com os voluntários para entender quais os problemas que eles enfrentam e de que forma poderíamos contribuir. Uma das coisas que disseram foi que, a construção do muro na fronteira do México com o EUA rompeu o corredor biológico e atrapalhou a conservação dos animais prejudicando toda a fauna e flora local ☹️ . . Dar visibilidade, estar por dentro do assunto, ouvir o problema do outro é um dos objetivos da viagem. Apoiar na divulgação, também é prestar um serviço social, pois contribui para gerar uma cultura ambiental na sociedade, informar as pessoas é uma das formas de conscientizar sobre a importância da conservação do patrimônio natural. . . #QuilômetrosDoBem também é inspirar paixão pela natureza ?

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Além disso, ela se solidarizou com vidas em risco de nações em crise. Nicarágua, por exemplo, está em guerra civil e mais de 400 pessoas já foram mortas pela repressão do governo de Daniel Ortega e grupos paramilitares contrários ao regime. Entretanto, isso não intimidou Yamara, que procurou ajudar os feridos do conflito. “Nicarágua é um país incrível, com pessoas maravilhosas. A gente chegou lá e doou sangue por todo o sangue derramado nos últimos meses”, afirma.

Em Honduras, a jovem recorda que as fortes chuvas da tempestade tropical Michael deixaram pessoas desabrigadas no país. “Encontramos uma comunidade [Choluteca] que tinha perdido tudo. Eles estavam morando em igrejas e escolas”, diz. A miséria fez com que Yamara doasse todas suas roupas aos sem-teto. “As pessoas falam que esses lugares são perigosos, mas chegamos no país e é diferente”, completa.

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#QuilômetrosDoBem chegou em Honduras, numa cidade chamada Choluteca, Choluteca é uma daquelas cidadezinhas que parece não ter nada, mas o Destino quis nos mostrar muita coisa. Paramos num posto de gasolina e conhecemos a Ester, que nos apresentou o Richard, um garoto de 16 anos que junto com a sua família estava ajudando um grupo de pessoas desabrigadas por conta da chuva. Eu não sei explicar o que eu senti vendo a realidade daquelas famílias que perderam tudo e estavam morando há dias em escolas e igrejas. . . Nós doamos roupas, alimentos, mas principalmente AMOR. Eu prometi no escoteiro “Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião” e espero que de alguma forma essa mensagem chegue até você… . . Eu to saindo de Honduras só com a roupa do corpo, mas com o coração transbordando de amor e gratidão pela oportunidade de conhecer essas pessoas, que apesar das dificuldades, não deixam de sorrir e agradecer pela vida ?

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De acordo com Yamara, o mochilão a fez perceber que é possível se virar em qualquer lugar do mundo. “O principal disso tudo é fazer contato, fazer amizade. Não falo inglês nem espanhol. Tudo que aprendi foi falando errado. Está com medo? Vá com medo. Tem pouco dinheiro? Se joga”, ressalta. “Você vai trocar trabalho por hospedagem, por comida e não adianta só pesquisar, porque você só descobre como as coisas funcionam quando você se joga”, analisa.

Viajante de longas datas, Yamara diz ainda que nunca foi difícil viajar sendo mulher, e recorda de sua preocupação quando foi para o Marrocos. Ela nasceu sem a mão direita e, no país, pessoas que cometem crimes perdem essa parte do corpo como punição. “Eu cheguei a pensar que sofreria por isso, mas os marroquinos respeitam muito os turistas. Fui bem tratada e não tive problemas, mesmo sendo gay e não tendo a mão. Mulheres, encorajem-se!”, conclui.

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