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7 fatos sombrios sobre Monteiro Lobato que chocam

O criador do Sítio do Picapau Amarelo tem um lado que raramente aparece nos livros escolares. Spoiler: ele talvez mude a forma como você lembra da sua infância.

Monteiro Lobato é praticamente sinônimo de literatura infantil no Brasil. Foram dele a Emília, o Visconde de Sabugosa, a Narizinho e tantos personagens que marcaram gerações. No entanto, por trás do “pai da literatura infantil brasileira” existe uma biografia cheia de pontos controversos, que envolvem eugenia, polêmicas que chegaram ao Supremo Tribunal Federal e um romance adulto considerado abertamente racista. Reunimos aqui sete fatos sombrios sobre Monteiro Lobato que ajudam a entender por que o autor segue gerando debate até hoje. Vale lembrar: muitos desses temas são objeto de disputa acadêmica, e mostramos os dois lados no fim do texto.

1. Ele foi membro de uma sociedade eugenista

Lobato integrou a Sociedade Eugênica de São Paulo, fundada em 1918. Segundo a produção acadêmica sobre o tema, ele também manteve proximidade com Renato Kehl, frequentemente apontado como o principal divulgador da eugenia no Brasil.

A eugenia era um movimento que defendia o “aprimoramento” da população por critérios raciais. Vale lembrar que essas ideias circulavam em parte da elite intelectual da época. Ainda assim, a adesão de Lobato a esse pensamento é um dado documentado, e não apenas uma suposição.

2. “Negrinha”, o conto que ainda incomoda

Publicado em 1920, o conto “Negrinha” retrata uma órfã negra de sete anos brutalizada por Dona Inácia, uma ex-senhora de escravos. A crítica costuma ler a obra de duas formas opostas: como denúncia da mentalidade escravocrata ou como reprodução do olhar racista da época.

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Por outro lado, é justamente essa ambiguidade que mantém o conto em debate. De acordo com pesquisadores, o texto expõe a violência contra crianças negras logo após a abolição. A interpretação, no entanto, divide leitores e estudiosos.

3. O Jeca Tatu nasceu como um retrato racial

O famoso Jeca Tatu, símbolo do caipira preguiçoso e doente, surgiu no livro de contos “Urupês”, de 1918. Na origem, o personagem tinha forte fundamentação racial: o caboclo aparecia descrito como um “parasita” inadaptável à civilização.

Inclusive, anos depois, o próprio Lobato reviu essa visão. O Jeca deixou de ser “naturalmente” inferior e passou a ser apresentado como vítima do abandono do Estado e da falta de saúde pública. Ou seja, houve uma mudança de chave no discurso do autor ao longo do tempo.

4. A Tia Nastácia virou caso no Supremo

Em “Caçadas de Pedrinho”, de 1933, a personagem Tia Nastácia aparece em trechos que comparam a cozinheira negra a uma macaca subindo numa árvore. Esses trechos motivaram uma das maiores polêmicas envolvendo a obra de Lobato.

Em 2014, a discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal. Um mandado de segurança pedia a retirada do livro de uma lista de leitura distribuída em escolas públicas. O ministro Luiz Fux julgou o pedido improcedente, e a obra permaneceu disponível. O caso reacendeu o debate sobre como tratar clássicos com conteúdo problemático em sala de aula.

5. “O Presidente Negro”: a distopia racista que ele assinou

Poucos sabem, mas Lobato escreveu um único romance adulto: “O Presidente Negro”, originalmente lançado em 1926 como “O Choque das Raças”. É considerada uma das primeiras obras de ficção científica do Brasil, ambientada nos Estados Unidos do ano de 2228.

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O enredo, no entanto, é pesado. A trama gira em torno da eleição de um presidente negro e de um plano da chamada “Convenção Branca” para impedir o crescimento da população negra. Em um dos trechos da obra, o narrador afirma:

A nossa solução foi medíocre. Estragou as duas raças, fundindo-as. O Negro perdeu as suas admiráveis qualidades físicas de selvagem e o branco sofreu a inevitável penhora de caráter.

Para muitos críticos, trata-se de uma obra abertamente eugenista. Há, contudo, quem leia o livro como um alerta contra esse pensamento, tese que detalhamos mais adiante.

6. A carta que revela o lado mais sombrio

Lobato morou nos Estados Unidos e tentou emplacar “O Presidente Negro” no mercado americano. De acordo com o pesquisador John Milton, citado pela BBC News Brasil, ele bateu na porta de pelo menos cinco editoras, e todas recusaram a obra por considerá-la ofensiva.

Frustrado, o autor desabafou em uma carta ao amigo Godofredo Rangel. A frase ficou marcada como uma das mais perturbadoras já atribuídas a ele:

Errei vindo cá tão tarde. Devia ter vindo no tempo em que linchavam os negros.

A correspondência entre Lobato e Rangel é amplamente estudada por pesquisadores e ajuda a sustentar boa parte das acusações de racismo contra o escritor.

7. O fim melancólico: falências, prisão e pobreza

A trajetória de Lobato também teve quedas duras. Sua primeira editora foi à falência em 1925, e ele ainda perdeu dinheiro tentando produzir aço após a quebra da bolsa de 1929. Não foi o único tropeço financeiro de sua vida.

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Além disso, sua campanha em defesa do petróleo nacional, resumida no famoso bordão “O Petróleo é Nosso”, o levou à cadeia. Lobato chegou a ser preso após enviar uma carta considerada ofensiva ao governo Getúlio Vargas. Segundo as biografias, ele morreu em 1948, aos 66 anos, pobre, doente e desgostoso, vítima de um derrame.

Afinal, Monteiro Lobato era racista? O que diz o outro lado

Apesar de todas as acusações, o tema está longe de ser consenso. Pesquisadores e admiradores do autor defendem que ele foi, antes de tudo, “um homem do seu tempo”, e que sua obra precisa ser lida no contexto do início do século XX.

Grupos como o Observatório Monteiro Lobato e estudiosos como Vanete Santana-Dezmann argumentam que “O Presidente Negro” funcionaria, na verdade, como um alerta contra a eugenia, e não como sua defesa. Outros pesquisadores, como o advogado Marco Túlio de Rose, também saíram em defesa do escritor em livros sobre o tema. Por fim, vale lembrar que a Justiça já se posicionou contra a proibição de suas obras, em nome da liberdade de expressão.

E você, o que acha? Esses fatos mudam a forma como você enxerga o autor que embalou tantas infâncias? Conta pra gente nos comentários e marca aquele amigo que cresceu vendo o Sítio do Picapau Amarelo.

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