Arqueólogos encontraram múmias com línguas de ouro no Egito, e a descoberta virou assunto por um motivo simples: o detalhe dourado na boca dos mortos esconde uma crença fascinante sobre a vida após a morte. As múmias com línguas de ouro foram identificadas no sítio arqueológico de Al-Bahnasa, no centro do país, e revelam muito sobre como os antigos egípcios encaravam o fim da vida. A seguir, reunimos os principais fatos para você entender de uma vez por que esse achado mexeu tanto com a internet.
Vale lembrar que tudo aqui vem da apuração de instituições científicas e órgãos oficiais. Em primeiro lugar, então, vamos ao que realmente foi encontrado.
1. Foram 52 múmias, e 13 tinham línguas de ouro
Em dezembro de 2024, uma equipe da Universidade de Barcelona escavava as tumbas de Al-Bahnasa quando encontrou algo raro: lâminas de ouro moldadas em formato de língua, colocadas diretamente na boca dos mortos.
No total, foram 52 múmias recuperadas no local. Dessas, 13 apresentavam o detalhe dourado. Ou seja, não era um costume aplicado a qualquer pessoa, o que já dá a primeira pista sobre quem eram esses indivíduos.
2. O ouro servia para o morto falar com Osíris
A prática não era decoração. Segundo Mohamed Ismail Khaled, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, a língua de ouro tinha uma função simbólica precisa.
A ideia era garantir que o falecido conseguisse se comunicar com Osíris, o senhor do submundo na cosmologia egípcia, no momento do julgamento da alma. Para os egípcios, chegar mudo diante dos deuses era um problema sério.
3. Por que ouro, e não outro material?
A escolha do metal também tinha lógica. O ouro foi selecionado por sua incorruptibilidade: ele não enferruja nem apodrece.
Por isso, virou a metáfora ideal para a voz que deveria persistir além da morte. Em outras palavras, um material eterno para uma comunicação que precisava durar a eternidade.
4. Não eram só as línguas: havia unhas de ouro também
De acordo com o Science Alert, a mesma lógica explicaria outra descoberta rara no mesmo sítio. Os pesquisadores encontraram unhas de mãos e pés recobertas de folha de ouro.
Inclusive, isso sugere uma extensão do princípio de proteção: não só a voz, mas o corpo inteiro deveria ser preservado de forma simbólica para a jornada no além.
5. As tumbas estavam intactas e cheias de tesouros funerários
As sepulturas foram escavadas diretamente na rocha natural, abaixo do solo, e chegaram intactas até os arqueólogos. Além das línguas e unhas douradas, o material recuperado impressiona.
Entre os achados estavam:
- Inscrições rituais coloridas nas paredes, com cenas de deuses e do processo de mumificação
- Amuletos e escaravelhos depositados junto aos corpos
- Jarras canopos, usadas para guardar os órgãos internos dos mortos
Segundo a apuração, é a primeira vez que tumbas de alto status desse tipo são identificadas na região de Al-Bahnasa.
6. A descoberta é do período ptolemaico
Os túmulos pertencem ao período ptolemaico, que vai de 305 a.C. a 30 a.C.. Nessa época, o Egito era governado por uma dinastia descendente de um dos generais de Alexandre, o Grande.
Por outro lado, esse contexto é importante porque marca uma fusão entre práticas funerárias egípcias tradicionais e influências gregas e romanas. A escavação foi conduzida pela Universidade de Barcelona em parceria com o Instituto para o Estudo do Antigo Oriente Próximo.
7. Essa não foi a primeira vez que apareceram línguas de ouro
O costume já havia dado pistas antes. Em 2021, uma equipe egípcio-dominicana liderada pela arqueóloga Kathleen Martinez encontrou uma múmia com língua de ouro em Taposiris Magna, um templo dedicado a Osíris próximo a Alexandria.
Naquele sítio, foram identificadas 16 sepulturas escavadas na rocha, algumas com moedas decoradas com o rosto de Cleópatra VII. Ou seja, o ritual de Al-Bahnasa se conecta a uma tradição mais ampla.
8. A tomografia de uma múmia confirmou o ritual
A ciência ajudou a fechar a conta. Uma publicação científica de 2023 documentou, por tomografia computadorizada, a presença de um amuleto de língua de ouro na boca da múmia apelidada de “Golden Boy”, de cerca de 2.000 anos.
No fim, o exame confirmou que a prática estava distribuída por diferentes regiões e épocas do Egito antigo. Não era, portanto, um costume isolado, mas um ritual religioso bem estabelecido entre as elites.
Afinal, o que isso revela sobre os egípcios?
Para os antigos egípcios, a morte não era o fim da identidade. Era uma passagem que exigia preparo, proteção e, acima de tudo, a capacidade de conversar com os deuses. Segundo a BBC, práticas como a língua de ouro mostram que a voz era considerada uma das faculdades mais importantes a se preservar no além.
E você, já tinha ouvido falar nessas múmias com línguas de ouro? Marca aquele amigo apaixonado por Egito antigo e conta nos comentários qual desses fatos mais te surpreendeu.

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