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Oxigênio escuro: 7 fatos sobre a descoberta no oceano

Cientistas encontraram uma fonte de oxigênio onde ninguém esperava. E ela pode reescrever o que sabemos sobre a vida na Terra.

Imagine descobrir oxigênio sendo produzido a 4 mil metros de profundidade, num lugar onde a luz do Sol nunca chega. Foi exatamente isso que pesquisadores identificaram no fundo do Oceano Pacífico, num fenômeno apelidado de oxigênio escuro. A descoberta, publicada na revista Nature Geoscience, desafia uma das ideias mais consolidadas da ciência: a de que o oxigênio do planeta só poderia surgir da fotossíntese. Além disso, ela levanta novas perguntas sobre a própria origem da vida. Reunimos abaixo os 7 fatos mais surpreendentes para você entender (e compartilhar) essa história.

1. Afinal, o que é o “oxigênio escuro”?

O termo descreve a produção de oxigênio sem fotossíntese, ou seja, sem qualquer participação da luz solar. Segundo o Jornal da USP, a expressão “oxigênio escuro” é considerada a mais adequada justamente porque aponta para um processo desvinculado da luz e dos mecanismos já conhecidos.

No Brasil, a descoberta também apareceu na imprensa como “oxigênio negro”. No entanto, os dois nomes se referem ao mesmo fenômeno: gás oxigênio brotando das profundezas abissais, onde, em teoria, ele deveria apenas ser consumido.

2. Tudo começou com um “erro” de equipamento

O fenômeno foi observado pela primeira vez em 2013, durante uma expedição. As leituras dos sensores indicavam aumento de oxigênio no fundo do mar, algo tão improvável que o cientista oceânico Andrew Sweetman achou que os aparelhos estavam quebrados.

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Ele chegou a devolver os sensores ao fabricante, suspeitando de defeito. A resposta, porém, foi sempre a mesma: os equipamentos estavam calibrados e funcionando. Só em 2021, ao repetir o teste com outro método, Sweetman aceitou que havia algo profundo acontecendo ali.

Eu pensei: ‘Meu Deus, nos últimos oito ou nove anos, eu estava ignorando algo profundo e enorme’

A declaração é de Andrew Sweetman, professor da Associação Escocesa de Ciências Marinhas e líder do estudo, em entrevista reproduzida pela CNN.

3. O cenário: a Zona Clarion-Clipperton

A descoberta aconteceu na Zona Clarion-Clipperton, uma imensa planície submarina localizada entre o Havaí e o México. A região se estende por mais de 6.400 quilômetros e fica fora da jurisdição de qualquer país.

Vale lembrar que essa área não é qualquer lugar do oceano. Ela concentra uma quantidade gigantesca de minerais valiosos, o que a transformou em alvo de interesse econômico mundial. Inclusive, é por causa desses metais que o local virou centro de um debate global sobre mineração.

4. Os nódulos polimetálicos funcionam como “baterias” naturais

O grande personagem dessa história são os nódulos polimetálicos, pedras escuras do tamanho aproximado de uma batata, espalhadas pelo fundo do mar. Eles se formam ao longo de milhões de anos, quando metais se acumulam ao redor de fragmentos como conchas, bicos de lula e até dentes de tubarão.

Esses nódulos são ricos em metais como manganês, níquel, cobre e cobalto. A hipótese central do estudo é que eles agem como pequenas “geobaterias” naturais: a diferença de potencial elétrico em sua superfície seria capaz de provocar a eletrólise da água do mar, separando hidrogênio e oxigênio.

Parece que descobrimos uma ‘geobateria’ natural

A frase é de Franz Geiger, eletroquímico da Universidade Northwestern, que ajudou a investigar o mecanismo ao lado de Sweetman.

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5. A virada veio em um bar de hotel em São Paulo

Esse é o detalhe mais inusitado da história. De acordo com o relato à CNN, a peça que faltava no quebra-cabeça surgiu quando Sweetman assistia a um documentário sobre mineração em águas profundas em um bar de hotel em São Paulo, no Brasil.

No vídeo, alguém comparava os nódulos a “uma bateria em uma rocha”. Foi o estalo. A partir dali, o pesquisador passou a investigar a hipótese eletroquímica, ou seja, a ideia de que os próprios minerais poderiam gerar o oxigênio. Quem diria que um bar paulistano entraria para a história da ciência?

6. Por que isso mexe com a origem da vida

Por muito tempo, acreditou-se que o oxigênio só começou a se acumular no planeta com o surgimento de organismos capazes de fotossíntese, como as cianobactérias. A existência de uma fonte de oxigênio independente da luz coloca essa narrativa em xeque.

Por outro lado, isso abre espaço para novas teorias. Se a eletrólise natural pode gerar oxigênio nas profundezas, talvez existissem ambientes oxigenados muito antes do esperado. O tema também interessa à astrobiologia, já que pode inspirar a busca por vida em oceanos escuros de outros planetas e luas.

Espero que seja o início de algo incrível

A expectativa é do próprio Andrew Sweetman, que reforça que ainda há muita ciência pela frente.

7. O alerta sobre a mineração em águas profundas

Não é só ciência pura: a descoberta tem peso ambiental e político. Os mesmos metais que estariam por trás do oxigênio escuro são cobiçados para baterias de carros elétricos, painéis solares e outras tecnologias verdes.

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No entanto, especialistas alertam que retirar esses nódulos pode interromper um processo natural ainda pouco compreendido. Segundo a CNN, áreas mineradas na década de 1980 foram revisitadas anos depois e, em alguns casos, nem mesmo bactérias haviam se recuperado. Por fim, vários países passaram a defender cautela ou uma pausa na atividade enquanto a ciência avança.

E você, o que achou dessa descoberta?

O oxigênio escuro ainda guarda muitas perguntas sem resposta, mas já mostrou que o fundo do oceano é cheio de mistérios. Você imaginava que existia oxigênio sendo produzido no escuro absoluto? Marca aquele amigo apaixonado por ciência e conta pra gente nos comentários o que mais te surpreendeu nessa história.

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