in

12 coisas de clássicos da Disney que não passariam hoje

Os tempos mudaram e as animações também. De vilões queercoded a um filme que o estúdio finge que nunca existiu, veja o que dificilmente seria aprovado em 2026.

Os clássicos da Disney moldaram a infância de várias gerações, mas boa parte deles envelheceu de um jeito complicado. O maior império midiático do mundo, dono de marcas como Pixar, Marvel e Lucasfilm, mudou bastante a forma de contar histórias nas últimas décadas. Ou seja: aquilo que era corriqueiro nas animações antigas hoje simplesmente não teria espaço. Reunimos 12 coisas dos filmes clássicos da Disney que dificilmente seriam aprovadas se os longas fossem lançados agora.

Vale lembrar: nem tudo nessa lista é sobre censura. Em alguns casos, a mudança livrou o público de representações problemáticas. Em outros, ela mostra um estúdio bem menos ousado do que já foi um dia.

1. Vilões queercoded

Durante anos, o estúdio usou e abusou do queercoding, ou seja, a prática de inserir signos, maneirismos e trejeitos que sugerem que um personagem é queer sem nunca afirmar isso. O recurso costumava ser reservado aos vilões, o que deu origem a figuras como Úrsula, Scar, Hades e Malévola.

Com o debate atual sobre representatividade, a Disney abrandou esse tipo de construção. No entanto, a representatividade oferecida ainda está longe do ideal, com uma sequência de “primeiros personagens gays da Disney” que jamais alcançam a relevância dos antigos vilões afetados e exagerados.

2. Um filme que a Disney esconde até hoje

Lançado em 1946, “A Canção do Sul” (Song of the South) foi o primeiro longa do estúdio a misturar animação e atores reais. A técnica era inovadora e rendeu prêmios, mas o filme se tornou a maior pedra no sapato da empresa por romantizar a experiência da escravidão nos Estados Unidos e apresentar representações estereotipadas de pessoas negras.

O resultado é que a obra virou praticamente uma lenda urbana. O longa nunca ganhou lançamento oficial em DVD ou Blu-ray nos Estados Unidos e não está no Disney+. Inclusive, a atração Splash Mountain, inspirada no filme, foi completamente reimaginada e deu lugar à Tiana’s Bayou Adventure, baseada em “A Princesa e o Sapo” (The Princess and the Frog). Hoje, um projeto assim jamais sairia do papel.

3. Donzelas indefesas

Nos últimos anos passamos por uma mudança cultural profunda em relação aos papéis de gênero. O que era aceitável há noventa anos não está mais em voga, e a participação feminina dentro e fora das câmeras ganhou destaque. Por isso, a fórmula da “donzela indefesa” caiu completamente de moda.

Veja também:
8 coisas estranhas que todo mundo fazia quando era criança

Antes, víamos princesas delicadas e com pouca agência servindo de moeda de troca em embates entre príncipes e vilões. Agora, filmes como “Frozen: Uma Aventura Congelante” (Frozen), “Enrolados” (Tangled) e “Detona Ralph” (Wreck-It Ralph) entregam personagens femininas com mais liberdade e protagonismo.

4. Alusões psicotrópicas nas animações

No terreno das drogas ilícitas, a Disney sempre andou numa zona nebulosa. Basta pensar na longa sequência de alucinação de “Dumbo” ou em “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland), interpretado por muitos fãs como uma viagem lisérgica do começo ao fim.

Com as sensibilidades atuais, o estúdio recuou de qualquer coisa que soasse psicodélica demais. Inclusive, as versões live-action de “Dumbo” e “Alice no País das Maravilhas” perderam esse tom e apostaram em narrativas mais realistas e coesas, o que ajuda a evitar leituras associadas a substâncias psicotrópicas.

5. Estereótipos indígenas

Lançado nos anos 90, “Pocahontas” talvez seja o maior tiro que saiu pela culatra da história do estúdio. Apesar das ótimas canções e da bela animação, o longa gerou debates acalorados: críticos apontam que a Disney teria transformado a história real de uma criança indígena, sequestrada e submetida aos horrores da colonização, em uma simples “história de princesa”.

Por outro lado, “Pocahontas” não está sozinho. “Peter Pan” também acumula críticas pela forma como retrata nativos americanos, com direito a linguagem ininteligível e ao uso de um termo ofensivo para se referir a eles. Essa pressão vem provocando mudanças internas e, muito provavelmente, é o motivo pelo qual dificilmente veremos um remake em live-action de “Pocahontas”.

6. A política de “sem sequências”

Por muitas décadas, o Walt Disney Animation Studios levou a sério o ideal de histórias originais. Por isso, o estúdio principal não produzia continuações para seus maiores clássicos: esse trabalho ficava com braços menores da empresa, e os lançamentos iam direto para VHS e DVD.

Isso mudou bastante na última década, com títulos como “Frozen II” e “WiFi Ralph” (Ralph Breaks the Internet). O movimento mostra um estúdio mais focado em rentabilizar propriedades intelectuais já estabelecidas. Inclusive, diante do desempenho irregular de alguns projetos originais, a tendência é que venham ainda mais sequências pela frente.

Veja também:
Inventora do chá revelação se arrepende da própria criação: 'ficou agressivo'

7. Cigarros e charutos por todo lado

Durante décadas, e não apenas na Disney, o cigarro era tratado como símbolo de status social e até de beleza. O próprio estúdio tentou virar esse jogo colocando o fumo na boca de personagens que faziam coisas erradas, como em “Pinóquio” (Pinocchio), ou diretamente de vilões, caso da Cruela de “101 Dálmatas” (One Hundred and One Dalmatians).

No entanto, de uns tempos para cá a empresa se afastou de vez do tema. Não é coincidência que o filme solo “Cruella” não tenha uma cena sequer da personagem dando um trago. Isso acompanha uma política mais ampla do cinema americano, que evita aludir ao tabagismo em obras voltadas para toda a família.

8. Caricaturas racistas de pessoas negras

A Disney carrega um longo passado racista que o próprio estúdio já tentou cobrir com panos quentes. O caso mais citado é o dos corvos de “Dumbo”, liderados por um personagem batizado de Jim, em referência a Jim Crow, nome ligado a piadas caricatas sobre pessoas negras e, mais tarde, a um conjunto de leis segregacionistas nos Estados Unidos.

Se antes existiam caricaturas explícitas nos traços de animação e em animais antropomórficos, isso mudou bastante. Ainda assim, permanece a crítica sobre o pouco tempo de tela de personagens negros, que acabam “trocados” por animais ou seres não humanos, como apontam discussões em torno de “A Princesa e o Sapo” e de “Soul”, da Pixar.

9. Experimentação artística de verdade

A Disney já foi um estúdio disposto a brincar com gêneros e formatos, o que rendeu obras bizarras e pouco ortodoxas como “Fantasia”, que mistura animação e música clássica. No começo dos anos 2000, a empresa mergulhou naquilo que ficou conhecido como sua “Era Experimental”.

Por outro lado, o fracasso comercial de títulos como “O Galinho Chicken Little” (Chicken Little), “Planeta do Tesouro” (Treasure Planet) e “Atlantis: O Reino Perdido” (Atlantis: The Lost Empire) empurrou o estúdio de volta para narrativas e estilos tradicionais. Hoje, é muito pouco provável que um projeto como “Fantasia” fosse aprovado.

10. Os gatos siameses e o alerta do Disney+

Outro ponto que renderia crise imediata são as caricaturas de povos do Leste Asiático disfarçadas de alívio cômico. Em “A Dama e o Vagabundo” (Lady and the Tramp), os gatos siameses que atormentam a protagonista cantam uma música que reflete uma visão racista da cultura asiática. Já em “Os Aristogatas” (The Aristocats), um dos felinos aparece com traços exagerados que o estúdio hoje reconhece como estereótipo.

Veja também:
Confusão e samba no pé: relembre as maiores polêmicas do Carnaval brasileiro

A própria Disney assumiu o problema: esses títulos ganharam avisos de conteúdo no Disney+, elaborados com apoio de um conselho consultivo que reuniu grupos como a Associação de Críticos de Cinema Afro-Americano e a GLAAD. Em comunicado, o estúdio afirmou:

Esses estereótipos estavam errados na época e estão errados agora. Em vez de remover esse conteúdo, queremos reconhecer seu impacto prejudicial, aprender com eles e iniciar conversas para criarmos juntos um futuro mais inclusivo.

Comunicado da Walt Disney Company sobre os avisos de conteúdo no Disney+.

11. Príncipes perfeitos e imbatíveis

Em contrapartida, a Disney também puxou o freio na visão idealizada dos personagens masculinos. Nos filmes de princesas, os príncipes costumavam ser figuras impecáveis, imbatíveis e sempre prontas para salvar a mocinha. Hoje, a abordagem é mais igualitária e humanizada.

“Enrolados”, “Detona Ralph” e “Frozen: Uma Aventura Congelante” preferem focar em homens bons e gentis, mas também atrapalhados. Já os remakes em live-action, como “A Pequena Sereia” (The Little Mermaid), “Aladdin” e “Cinderela” (Cinderella), reforçam que as princesas conseguem se defender sozinhas.

12. Exotização das culturas asiáticas

Por fim, o passado da Disney com a representação de culturas orientais também é cabeludo. “Mulan”, clássico amado por muita gente, causou problemas na China por conta de Mushu, personagem apontado como uma representação pejorativa de um símbolo sagrado.

Nos últimos anos, o estúdio tem se esforçado para entregar representações menos estereotipadas e “exóticas”, seja para agradar o público chinês, que responde por uma fatia relevante das bilheterias mundiais, seja para dialogar com o público ásio-americano. O remake de “Mulan” passou por diversas mudanças, e produções como “Raya e o Último Dragão” (Raya and the Last Dragon) seguem uma linha mais respeitosa.

E você, sentiu falta de algum item nessa lista?

No fim das contas, a Disney de hoje é mais cuidadosa, porém bem menos ousada do que já foi. Algumas mudanças são claramente positivas, outras deixam saudade de uma era mais criativa e arriscada.

E aí, você acha que os clássicos da Disney deveriam ser revistos ou preservados exatamente como foram feitos? Comenta aqui embaixo, marca aquele amigo que cresceu assistindo a esses filmes e compartilha para começar o debate.

Em Destaque

Recomendamos para você

Deixe seu comentário

8 pedidos mais estranhos de atores em sets de filmagem