De tempos em tempos, surge um gadget vendido como o futuro, aquele aparelho que, supostamente, faria você largar o telefone de vez. Só que a lista de invenções que tentaram substituir o celular e não emplacaram é gigante.
Alguns viraram meme, outros sumiram do mapa e teve até projeto que nunca saiu do papel. Reunimos 12 aparelhos que prometeram revolucionar a forma como usamos a tecnologia e terminaram no cemitério dos flops. Da inteligência artificial presa na camisa aos óculos que gravam tudo, prepare-se para lembrar (ou descobrir) cada um deles.
1. Humane AI Pin

Talvez o maior símbolo recente dessa lista. Lançado em 2024, o Humane AI Pin era um broche com inteligência artificial que prometia fazer você deixar o smartphone em casa. Custava US$ 699, ainda exigia uma assinatura mensal de US$ 24 e, no lugar de tela, projetava informações na palma da sua mão.
Na prática, foi um desastre. As avaliações apontaram bateria fraca, superaquecimento e lentidão. Inclusive, segundo o site The Verge, em determinado período mais aparelhos foram devolvidos do que vendidos. O influenciador de tecnologia Marques Brownlee resumiu o clima em uma frase que viralizou:
O pior produto que já analisei.
O projeto foi encerrado em 2025 e a empresa acabou comprada pela HP. Ou seja, virou peça de museu antes de completar dois anos.
2. Rabbit R1

Companheiro de fracasso do Humane, o Rabbit R1 chegou em 2024 como um cubo laranja fofinho de US$ 199. A promessa era ousada: um assistente de inteligência artificial capaz de usar seus aplicativos por você, sem que você precisasse tocar em nada.
O problema é que quase nada funcionava como no vídeo de divulgação. Além disso, um desenvolvedor teria descoberto que o aparelho rodava, basicamente, um app de Android, algo que qualquer celular já faz. Marques Brownlee classificou o produto como praticamente impossível de avaliar. Vale lembrar que a empresa seguiu lançando atualizações depois, mas o estrago na reputação já estava feito.
3. Google Glass

Muito antes da febre atual de óculos inteligentes, o Google Glass tentou colocar a tela no seu rosto. Lançado para desenvolvedores em 2013 e ao público em 2014, o aparelho mostrava mensagens e mapas direto no campo de visão.
No entanto, o preço salgado e, principalmente, a paranoia com privacidade afundaram o projeto. Como qualquer pessoa podia estar sendo filmada a qualquer momento, surgiu até o apelido “glasshole” para os usuários. Por fim, a versão para consumidores foi descontinuada. Curiosamente, o Google voltou a apostar em óculos anos depois, agora tentando aprender com o próprio tombo.
4. Óculos Ray-Ban Stories (Meta)

Atenção para não confundir. Aqui falamos da primeira geração, o Ray-Ban Stories de 2021, fruto da parceria entre a Meta (dona do Facebook) e a Ray-Ban. Por US$ 299, os óculos tiravam fotos, gravavam vídeos e tocavam música, sem qualquer recurso de realidade aumentada.
Segundo documentos internos citados pela imprensa, o resultado decepcionou. De cerca de 300 mil pares vendidos até fevereiro de 2023, menos de 10% seguiam em uso frequente, algo em torno de 27 mil pessoas. A taxa de devolução teria batido 13%. Ou seja, quase ninguém usava. A boa notícia para a empresa veio depois, com o modelo seguinte, bem mais popular.
5. Snap Spectacles

A dona do Snapchat também quis emplacar seus óculos com câmera. As Spectacles, de 2016, chegaram com direito a máquinas de venda automática espalhadas pelas ruas para criar hype. Funcionou por pouco tempo.
De acordo com relatos da época, houve uma corrida inicial, mas o interesse desabou rápido. Um dos motivos apontados foi que o vídeo só ia direto para o Snapchat, o que limitava demais o uso. Por outro lado, o tombo saiu caro: o episódio teria gerado um prejuízo estimado em cerca de US$ 40 milhões para a empresa.
6. Óculos North Focals

A canadense North apostou em óculos discretos que mostravam notificações e traziam a assistente Alexa, sem a câmera que assustava tanta gente. A ideia era elegante, mas o desfecho foi abrupto.
Em 2020, o Google comprou a startup. A prometida segunda geração, a Focals 2.0, nunca chegou às lojas, o aplicativo foi desligado e quem tinha comprado recebeu reembolso. Em primeiro lugar veio a promessa do futuro; em seguida, o cancelamento total.
7. Intel Vaunt

A gigante dos processadores também sonhou com os óculos inteligentes. O Vaunt (codinome Superlight) impressionou ao ser apresentado no começo de 2018: sem câmera e sem tela aparente, projetava uma imagem discreta direto na retina usando um laser de baixa potência. Parecia um óculos comum.
Só que a empolgação durou poucos meses. Ainda em 2018, a Intel fechou o setor responsável pelo projeto, o New Devices Group, com corte de cerca de 200 vagas, depois de investir centenas de milhões de dólares na aventura. O Vaunt morreu antes mesmo de chegar às lojas.
8. Magic Leap One

Poucas empresas prometeram tanto quanto a Magic Leap. Cercada de mistério e de bilhões de dólares em investimento, ela vendeu a ideia de que a realidade aumentada substituiria as telas tradicionais. Quando o Magic Leap One finalmente saiu, em 2018, veio a decepção.
Segundo o site The Information, o aparelho teria vendido apenas cerca de 6 mil unidades. Diante do fracasso com o público geral, a empresa migrou o foco para clientes corporativos. O modelo seguinte, mais caro ainda, também não decolou. Uma queda e tanto para quem já foi avaliada em bilhões.
9. Apple Vision Pro

Nem a Apple escapa da lista. Lançado com o conceito de “computação espacial”, o Vision Pro foi apresentado como uma nova forma de usar apps, fotos e vídeos, indo além do celular e do computador. O detalhe é o preço: US$ 3.499.
Com esse valor, o aparelho ficou restrito a um público pequeno e, segundo análises do setor, não emplacou como a empresa esperava. Inclusive, rumores apontam que uma sequência direta não está nos planos, com a Apple, supostamente, voltando o olhar para óculos mais leves. Vale o “por enquanto”, já que a história ainda pode virar.
10. Microsoft HoloLens

A Microsoft foi pioneira na realidade mista com o HoloLens, capaz de sobrepor hologramas ao mundo real. O foco acabou indo para empresas e para usos industriais e militares, com um preço de US$ 3.500 no HoloLens 2.
Apesar da tecnologia avançada, o aparelho nunca virou um produto do dia a dia. Em outubro de 2024, a Microsoft encerrou a produção do HoloLens 2 e, no início de 2025, confirmou a saída desse tipo de hardware, sem qualquer sucessor à vista. Por fim, o sonho de popularizar os hologramas ficou para trás.
11. Capacete de AR da Daqri

Nesse embalo de “o vestível vai mudar tudo”, a startup Daqri levantou algo em torno de US$ 275 milhões a US$ 300 milhões para criar dispositivos de realidade aumentada. O produto mais famoso foi um capacete inteligente que custava assustadores US$ 15 mil.
A aposta era transformar o jeito como as pessoas trabalham e enxergam a informação. No entanto, o dinheiro acabou antes do sucesso. A empresa fechou as portas em 2019 e teve parte dos ativos comprada pela Snap. Um dos maiores fiascos da corrida por vestíveis inteligentes.
12. Pulseira Cicret

Para fechar, o caso mais surreal de todos. Em 2014, a pulseira Cicret viralizou com uma promessa de ficção científica: transformar o seu braço em um touchscreen, projetando a tela do celular direto na pele. Dava para ver e-mails, atender ligações e mexer em apps, tudo no antebraço.
O detalhe? O produto nunca existiu de verdade. Um dos criadores admitiu que o vídeo impressionante era apenas uma simulação, não um protótipo funcional. Mesmo assim, o projeto arrecadou doações e ficou anos prometendo um aparelho que jamais foi entregue. Ou seja, o clássico “vaporware”, aquela tecnologia anunciada que nunca sai do papel. A empresa acabou dissolvida sem entregar uma unidade que funcionasse.
E aí, quantos você conhece?
De brinquedinhos de IA a óculos futuristas e até uma pulseira mágica, essas invenções que tentaram substituir o celular provam uma coisa: destronar o smartphone é bem mais difícil do que parece. Enquanto isso, o bom e velho telefone segue firme no seu bolso.
E você, chegou a cogitar comprar algum desses? Marca aquele amigo apaixonado por gadget e conta nos comentários qual foi, na sua opinião, o maior fiasco da lista.

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