Um estudo de Oxford resolveu um dos maiores mistérios do corpo humano. E a explicação não está exatamente onde você imagina.
Você já parou para pensar por que a maioria das pessoas usa a mão direita? Cerca de 90% da população mundial é destra, enquanto apenas 10% prefere a mão esquerda. Esse padrão é tão forte que intriga cientistas há décadas. Agora, um novo estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere uma explicação surpreendente para a dominância da mão direita na evolução humana. A pesquisa, publicada na revista científica “PLOS Biology” em 27 de abril, indica que a resposta pode estar menos nas mãos e mais na forma como nosso corpo e cérebro evoluíram ao longo de milhões de anos.
Preparamos uma lista com os pontos mais curiosos dessa descoberta. Vem com a gente entender por que você provavelmente está segurando o celular com a direita agora.
1. Ser destro é praticamente uma “anomalia” entre os primatas

Pode parecer estranho, mas a forte preferência por um lado do corpo é algo bem humano. Em outros primatas, como macacos e símios, essa dominância de uma das mãos é muito menos evidente do que em nós.
Ou seja, enquanto cerca de 9 em cada 10 humanos preferem a mão direita, nossos parentes mais próximos no reino animal não mostram essa inclinação tão marcante. Foi justamente esse contraste que despertou a curiosidade dos pesquisadores.
2. O estudo analisou dezenas de espécies de macacos e símios
Para chegar a uma conclusão, a equipe de Oxford fez um trabalho de comparação em grande escala. Os cientistas analisaram dados de 41 espécies de macacos e símios e compararam suas características com as dos humanos.
A ideia era simples, mas ambiciosa: entender por que a dominância de um lado do corpo é tão presente na nossa espécie, mas não aparece da mesma maneira nos outros primatas. Vale lembrar que esse foi o primeiro estudo a testar várias hipóteses principais sobre o tema dentro de um único modelo.
3. Dieta e uso de ferramentas não explicaram o mistério
Ao longo dos anos, surgiram muitas teorias para explicar a preferência manual. Durante a pesquisa, os cientistas testaram várias delas, como dieta, ambiente, uso de ferramentas e organização social.
No entanto, nenhuma dessas hipóteses, sozinha, conseguiu explicar por que os humanos são majoritariamente destros. As respostas tradicionais simplesmente não fechavam a conta.
4. A virada veio ao olhar para as pernas e o cérebro

A grande sacada aconteceu quando os pesquisadores incluíram dois fatores na análise: o tamanho do cérebro e a proporção entre pernas e braços. Essa relação é usada para entender o modo como uma espécie se locomove, especialmente o hábito de andar ereto.
Os resultados mostraram uma conexão clara: cérebros maiores e pernas mais longas estão ligados à preferência por usar a mão direita. Por outro lado, as hipóteses isoladas testadas antes não davam conta de explicar o fenômeno.
5. Andar de pé teria sido o primeiro passo
Segundo os pesquisadores, esse processo pode ter acontecido em duas etapas. Em primeiro lugar, nossos ancestrais passaram a andar eretos, o que liberou as mãos de funções ligadas ao deslocamento.
Com as mãos mais livres, abriu-se espaço para um uso mais especializado dos membros. Foi como se a postura ereta tivesse preparado o terreno para tudo o que veio depois.
6. Depois, o crescimento do cérebro reforçou a preferência
A segunda etapa estaria ligada ao aumento do cérebro humano ao longo da evolução. Com cérebros cada vez maiores, a especialização de um lado do corpo se fortaleceu.
É aí que entra a fala de um dos responsáveis pela pesquisa.
Este é o primeiro estudo a testar várias das principais hipóteses sobre a lateralidade humana em um único modelo. Nossos resultados sugerem que ela está ligada a características importantes da nossa espécie, como a postura ereta e o aumento do cérebro
A declaração é do antropólogo evolucionista Thomas Püsche, coautor do estudo, em comunicado.
7. A preferência foi surgindo aos poucos na história
A equipe também usou o modelo para estimar como essa característica pode ter surgido nos nossos antepassados. Os resultados indicam que a preferência pela mão direita não apareceu de uma vez, mas se intensificou ao longo do tempo.
Espécies mais antigas, como o Ardipithecus e o Australopithecus, provavelmente tinham apenas uma leve inclinação para o lado direito, parecida com a observada em grandes símios atuais. Com o surgimento do gênero Homo, essa tendência ficou mais evidente.
8. O mistério dos canhotos ainda não acabou
Se a evolução favoreceu tanto a mão direita, por que os canhotos continuam existindo? Essa ainda é uma pergunta em aberto na ciência.
Os cientistas pretendem investigar como fatores culturais podem ter reforçado a preferência pela direita ao longo do tempo e por que a população canhota persiste. Inclusive, os autores destacam que o trabalho ajuda a separar o que é exclusivo dos humanos do que faz parte de um processo maior na evolução dos primatas.
Esse trabalho ajuda a separar o que é específico dos humanos e o que faz parte de um processo mais amplo na evolução dos primatas
E você, é time da mão direita ou faz parte dos 10% canhotos? Marca aquele amigo destro que nunca tinha parado para pensar nisso e conta para a gente nos comentários!

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