Spoiler: o corpo não esquece de onde veio. Veja o que a ciência diz sobre o que muda quando a “canetinha” sai da rotina.
Parar de tomar Ozempic virou dúvida frequente de quem usou o medicamento para emagrecer e quer entender o que acontece com o corpo depois da interrupção. A semaglutida, princípio ativo vendido como “Ozempic” e “Wegovy”, ajuda a reduzir a fome e a controlar o açúcar no sangue. No entanto, esses efeitos funcionam apenas enquanto a substância está ativa no organismo. Ou seja, quando o uso para, várias engrenagens voltam a girar como antes. Segundo dados do CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, cerca de 42% dos americanos vivem com obesidade, e aproximadamente um em cada oito adultos já recorreu a remédios desse tipo para emagrecer.
Antes de tudo, vale o aviso de ouro: nenhuma decisão sobre interromper a medicação deve ser tomada sozinha. A seguir, reunimos os principais efeitos relatados por especialistas e estudos. Bora entender?
1. A fome volta com tudo
Em primeiro lugar, o efeito mais perceptível é o retorno do apetite. A semaglutida atua tanto no cérebro quanto no intestino para prolongar a sensação de saciedade. Quando ela some do organismo, processo que leva alguns dias ou até semanas, esse “freio” deixa de existir.
Resultado: a fome reaparece, muitas vezes com a mesma intensidade de antes do tratamento. Inclusive, é justamente esse ponto que torna a manutenção dos hábitos tão importante depois da parada.
2. O açúcar no sangue tende a subir
O Ozempic imita o hormônio GLP-1, que ajuda o pâncreas a regular a glicose. Sem o medicamento, esse suporte some. Por isso, os níveis de açúcar no sangue podem voltar a subir, especialmente em quem tem diabetes tipo 2.
Nesses casos, pode ser necessário recorrer a outros medicamentos para manter a glicemia em uma faixa saudável. Vale lembrar: mesmo quem não tem diabetes pode precisar ajustar a alimentação para estabilizar o açúcar.
3. Pressão e colesterol podem voltar aos níveis antigos
À medida que o peso retorna, outros marcadores tendem a acompanhar. De acordo com a análise publicada no The Conversation por pesquisadores da área de saúde, a maioria das pessoas volta, no longo prazo, aos níveis anteriores de pressão arterial e colesterol.
Ou seja, parte dos benefícios cardiovasculares conquistados durante o tratamento pode se perder se nada mais mudar no estilo de vida.
4. O peso volta, e principalmente em forma de gordura
Esse talvez seja o efeito que mais assusta. A resposta curta dos estudos é direta: na maioria das pessoas, o peso volta. Um estudo com cerca de 800 participantes, citado pela CFF, indicou que os quilos perdidos retornam rapidamente após a suspensão do medicamento.
Para se ter ideia do tamanho do efeito, pesquisas de 2021 mostraram perda média de 15% do peso corporal em 68 semanas de uso da semaglutida, contra apenas 2% no grupo que recebeu placebo. O detalhe importante é a composição desse reganho: o corpo recupera mais gordura do que músculo, porque a massa muscular é mais lenta para voltar.
5. O efeito sanfona pode estressar o coração
Entrar e sair do medicamento repetidamente cria uma espécie de montanha-russa no corpo. A cada ciclo de perda e ganho de peso, o organismo precisa lidar com variações de pressão, frequência cardíaca e na forma como processa açúcares e gorduras.
No entanto, segundo os pesquisadores, essas oscilações constantes podem sobrecarregar o sistema cardiovascular. É o famoso efeito sanfona, agora com nova roupagem.
6. Quem não é obeso corre risco maior
Aqui mora um alerta importante. O risco associado às flutuações de peso tende a ser maior em quem não tem obesidade. Por outro lado, é justamente esse público que, em muitos casos, recorre ao remédio para perder poucos quilos por estética.
Por fim, os especialistas reforçam que o uso sem indicação clara e sem acompanhamento amplia os riscos sem necessariamente trazer benefícios proporcionais.
Afinal, dá para parar com segurança?
Os médicos são unânimes em um ponto: a decisão precisa ser individual e acompanhada. Tanto a obesidade quanto o diabetes são consideradas doenças crônicas, e o tratamento costuma ser de longo prazo, comparável ao da hipertensão.
A endocrinologista Dra. Elaine Dias, ouvida pela Drogasil, explica que, quando o diabetes tipo 2 está controlado, o caminho mais comum é reduzir a dose aos poucos e observar a resposta do corpo antes de pensar em suspender:
podemos até tentar suspender o uso, mas sempre observando se não há pioras
A diretora de um centro de pesquisa e controle de peso nos EUA, Domenica Rubino, citada pela CFF, resume bem por que o “milagre” não é permanente:
A obesidade não é como uma infecção que se resolve com antibióticos.
Como reduzir o ganho de peso ao parar
A boa notícia é que dá para minimizar o reganho com estratégias simples e baseadas em evidências. Entre as recomendações dos especialistas, estão:
- Manter uma boa rotina de sono, que influencia o apetite e o metabolismo.
- Praticar exercícios com foco em construir e preservar massa muscular.
- Cuidar da relação com a comida, incluindo os aspectos emocionais que levam a comer demais.
- Apostar em refeições nutritivas, ricas em fibras e em porções equilibradas.
Além disso, revisões médicas regulares ajudam a ajustar o plano e a evitar sustos. Afinal, manter o resultado é tão importante quanto alcançá-lo.
O recado final
No fim das contas, o Ozempic funciona, mas funciona enquanto é usado. Parar de tomar Ozempic não é um problema em si, desde que feito com orientação e com um plano para sustentar os hábitos construídos. Vale reforçar: nada de interromper a medicação por conta própria.
E você, conhece alguém que já passou por essa fase de “depois da canetinha”? Marca aquele amigo que vive perguntando sobre isso e manda essa matéria no grupo. E aí, ainda ficou alguma dúvida?
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde. Consulte sempre o seu médico antes de iniciar ou interromper qualquer medicamento.

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