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Vida fora da terra? Super-Terra a 100 anos-luz pode ter oceano gigante

Cientistas miram um mundo coberto de água que pode mudar a busca por vida. O detalhe mais curioso é que esse planeta talvez não tenha nenhum continente à vista.

A Super-Terra TOI-1452 b, localizada a cerca de 100 anos-luz da Terra, voltou aos holofotes da astronomia por um motivo de tirar o fôlego: ela pode abrigar um oceano global muito mais profundo do que todos os mares do nosso planeta juntos. A possibilidade de tanta água concentrada em um único corpo celeste reacende uma das perguntas mais antigas da humanidade, ou seja, será que existe vida fora da Terra? Por enquanto, a resposta segue em aberto, mas os indícios são empolgantes.

O que é a Super-Terra TOI-1452 b

O TOI-1452 b orbita uma estrela anã vermelha na constelação de Draco, dentro de um sistema binário. As duas estrelas ficam separadas por cerca de 97 unidades astronômicas, uma distância pequena o bastante para dificultar a leitura inicial dos instrumentos.

A descoberta foi anunciada em 2022 por uma equipe liderada por Charles Cadieux, da Universidade de Montreal. Vale lembrar que o time contou com a participação do brasileiro Eder Martioli, do Laboratório Nacional de Astrofísica. O interesse surgiu porque o planeta é maior e mais massivo que a Terra, mas sua densidade aponta para uma composição menos simples do que apenas rocha e metal.

Como o planeta foi descoberto

O primeiro indício veio do TESS, telescópio espacial da NASA, ao detectar uma queda regular no brilho da estrela a cada 11,1 dias. Esse tipo de variação costuma indicar um trânsito planetário, quando um corpo passa diante da estrela e bloqueia parte da luz.

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Depois, observações feitas em solo separaram melhor os sinais do sistema binário e confirmaram que o trânsito pertencia mesmo ao TOI-1452 b. A confirmação envolveu instrumentos como o PESTO, no Observatório Mont-Mégantic, e o SPIRou, instalado no Canada-France-Hawaii Telescope.

Por que os cientistas acham que há tanta água

De acordo com o Laboratório Nacional de Astrofísica, o TOI-1452 b é cerca de 70% maior que a Terra e tem massa próxima de cinco vezes a do nosso planeta. Essa combinação resulta em uma densidade menor do que a esperada para um mundo formado basicamente por rocha e metal.

A diferença fica mais clara quando os números aparecem lado a lado. Enquanto a água representa menos de 1% da massa total da Terra, no TOI-1452 b esse índice pode chegar a cerca de 30%. Em outras palavras, estaríamos diante de um verdadeiro planeta oceânico.

  • Raio: cerca de 1,67 vez o da Terra.
  • Massa: quase 5 vezes a massa terrestre.
  • Água na massa total: pode chegar a cerca de 30%.
  • Perfil provável: um mundo com enorme fração de água.

Como seria um oceano sem continentes

Um mundo oceânico não seria apenas uma versão ampliada dos mares que conhecemos. Em um planeta com água em proporção tão grande, a camada líquida poderia ser profunda o suficiente para separar a superfície de regiões internas submetidas a pressões extremas.

Os modelos sugerem uma organização em camadas bem diferente das paisagens familiares da Terra. Haveria um oceano global, possivelmente sem continentes emergidos, além de uma camada de gelo de alta pressão formada nas profundezas e um núcleo rochoso, separado da superfície por água e materiais comprimidos.

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Mas o planeta é habitável?

Aqui entra a parte que pede cautela. A presença possível de água líquida torna o TOI-1452 b fascinante, no entanto, não garante habitabilidade. Um oceano global pode dificultar as trocas químicas entre rocha, atmosfera e água, processos importantes para os ciclos de nutrientes que conhecemos por aqui.

Conforme o estudo original publicado no arXiv, o planeta é um alvo forte para a caracterização atmosférica futura. Ainda assim, será preciso observar a atmosfera para saber se há vapor d’água, quais gases estão presentes e se as condições realmente permitem estabilidade na superfície.

O James Webb pode dar a resposta

O Telescópio Espacial James Webb pode analisar a luz da estrela quando ela atravessa a atmosfera do planeta durante o trânsito. Essa técnica permite procurar assinaturas químicas compatíveis com vapor d’água e outros componentes atmosféricos.

Por fim, se futuras observações confirmarem uma atmosfera rica em água, o TOI-1452 b deixará de ser apenas um candidato intrigante. Ele passará a ajudar os cientistas a entender como um planeta pode ser potencialmente aquático sem se parecer em nada com a Terra. E você, acredita que vamos encontrar vida em mundos como esse? Marca aquele amigo apaixonado por astronomia para debater essa ideia.

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