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Ex-câmeras do ‘BBB’ processam Globo por condições degradantes de trabalho

A ação movida por ex-operadores de câmera fala sobre situação vivida nos bastidores do ‘Big Brother Brasil’

Foto: reprodução / TV Globo

Grande sucesso de audiência da TV Globo, o ‘Big Brother Brasil’ movimenta o país com os acontecimentos, opiniões e festas que rolam com os participantes dentro do confinamento. Acontece que, nos bastidores da atração, nem tudo são flores.

Nesta segunda-feira (1º), o jornal ‘O Dia’ publicou uma matéria expondo uma situação grave e negativa, até então desconhecida para os telespectadores do reality show.

O fato é que, de acordo com alguns ex-prestadores de serviço da emissora, a realidade vivida pelos profissionais que trabalham por trás das câmeras não é nada bonita – e muito menos digna.

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Alguns operadores de câmera afirmaram que as condições são extremamente degradantes e eles não têm a mínima segurança necessária.

Diante disso, cinco operadores de câmera e um assistente de operações, que trabalharam no ‘BBB’ até o ano passado, entraram na Justiça contra a TV Globo e a empresa LET, na qual eles eram contratados para prestarem os serviços para a emissora.

O processo expõe condições degradantes do ambiente trabalho, assédio moral sofrido por esses profissionais e mais.

A ação corre em segredo de Justiça e conta com imagens e testemunhos de outros profissionais também envolvidos na produção do programa, que reafirmam a veracidade das acusações do grupo que abriu a ação. Por enquanto, a Globo e a LET ainda não foram citadas no processo.

Fábio Chiara Allam, o advogado da causa, falou com exclusividade ao jornal ‘O Dia’. Ele contou detalhes sobre as condições do ambiente de trabalho desses profissionais.

“Todos pedem indenização pelas condições degradantes do local de trabalho, em função das condições precárias do local destinado aos câmeras, o chamado Câmera Cross (corredor que fica em volta da casa por trás dos espelhos), que era muito sujo, sem lixeiras, com fios desencapados que davam choque quando chovia”, disse.

“Os autores também tinham suprimido o horário de almoço e ainda trabalhavam de pé por cerca de 9 horas seguidas. Além disso, os autores tinham frequentes contatos com animais, como ouriço, ratos, morcegos, gambás, aranhas, marimbondos e até cobra. Um autores já foi picado por uma aranha”, afirma.

Além disso, o advogado também expôs que o tratamento que os câmeras do ‘BBB’ recebem é grosseiro e desrespeitoso.

“Há ainda pedido de assédio moral referente ao tratamento destinado aos autores por um diretor da emissora, que os tratava com desrespeito e grosseria, com gritos e chegando a agarrar dois dos autores pelo casaco. Há ainda pedido de pagamento do intervalo suprimido e também equiparação salarial a outros câmeras que desempenhavam as mesmas atividades, mas recebiam salários superiores”, explica Fábio Chiara.

Washington Santos, que trabalhou em 12 edições do ‘Big Brother Brasil’, afirmou que já foi picado por um bicho. Em entrevista ao jornal ‘O Dia’, ele relata dificuldades enfrentadas em seu antigo local de trabalho.

“Um ambiente sujo, totalmente hostil. Quando chove, naquela parte da varanda onde os participantes sentam pra fumar, do lado de dentro do Câmera Cross, alaga tudo. Fora que a gente circulava no meio de fios espalhados no chão sem proteção e, pior, alguns até desencapados”, afirma.

“Era um monte de máscaras descartáveis usadas espalhadas pelo chão. Rato, ouriço, cobra, aranha, todos esses bichos circulavam entre a gente. Chegamos a ser orientados sobre infestação e pra tomar cuidado com os cabos, porque poderiam ter cobras enroladas neles e a gente poderia confundir, porque o local é bem escuro”, alega.

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Ele conta de quando foi picado e fala também sobre problemas de saúde por conta da insalubridade do local não aconteceram só com ele.

“Eu fui picado na mão, minha mão inchou muito e eu fui levado para o centro médico e lá me deram uma injeção. Depois me deram dois dias em casa. Uma funcionária chegou a desmaiar lá dentro por causa de sinusite, porque é um ambiente com muita poeira. Saiu carregada de dentro do Câmera Cross”, revela.

“Tudo isso a gente reclamava com a chefia. Temos um depoimento do profissional da técnica de segurança dizendo que dois meses antes da estreia do ‘BBB 20’ levou nossas reclamações sobre as condições insalubres de trabalho até a direção e a direção não fez nada”, conta o profissional.

Para Washington, a TV Globo é hipócrita em afirmar sempre que ‘preza pela saúde’ dos participantes do ‘BBB’, mas não proporciona o mínimo para os câmeras trabalharem dignamente.

“A gente sabe bem o que é o produto ‘Big Brother’. A TV Globo vende muito essa questão de se preocupar com a saúde, pedindo pra usar máscara, batendo no presidente, e a gente lá com máscaras usadas espalhadas pelo corredor. A gente foi proibido de tomar a vacina da influenza, isso foi o pior pra gente. Nós, prestadores de serviços, nos sentimos muito humilhados”, declarou.

“Quando fomos indagar as enfermeiras sobre a vacinação, disseram pra gente que era só pra funcionários e que a gente não tinha direito. É uma indignação que temos por causa da falta de respeito”, lamenta.

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