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Faltou noção: loja usa nome de funcionária que morreu em cupom promocional

Kathlen Romeu tinha 24 anos e estava grávida quando foi atingida por um tiro durante um tiroteio no Rio de Janeiro

Fotos: Divulgação/Reprodução/Instagram

Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias foi a morte violenta da jovem de 24 anos – que estava grávida de 14 semanas – Kathlen Romeu, durante um tiroteio na comunidade do Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro.

No dia seguinte à tragédia, a marca ‘Farm’ lançou uma campanha de marketing que foi interpretada por muitas pessoas como uma forma de ‘se aproveitar da situação’ para vender ainda mais – e foi extremamente criticada por isso.

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Kathlen trabalhava em uma loja da ‘Farm’ em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Após ela ser atingida por uma bala perdida e morrer, as pessoas começaram a compartilhar fotos da jovem e pedir justiça, pois a violência na capital carioca fez mais uma vítima.

A ‘Farm’ é uma grife brasileira, mas de sucesso e visibilidade internacional. Na última quarta-feira (9), a equipe de comunicação da marca postou uma imagem com a frase ‘Justiça por Kathlen’.

Na legenda, lamentavam a morte de Kathlen e anunciavam que toda peça que fosse vendida no código da vendedora falecida, teria o valor revertido para a família dela.

A ação não foi bem vista por internautas e suscitou uma enxurrada de críticas nas redes sociais. A ‘Farm’ tirou a ‘promoção’ do ar e se desculpou pelo que chamaram de ‘erro’. Leia o conteúdo do post original – e polêmico:

“Lamentamos profundamente que nossa querida Kathlen Romeu e o bebê que gestava há 14 semanas, tenham sido alvo de mais um intolerável episódio de violência urbana ontem em nossa cidade. Estendemos nossas condolências à família de Kath, que terá todo o nosso apoio e suporte em tudo que se faça necessário”. 

A partir de hoje, toda a venda feita no código de Kathlen – E957 – terá sua comissão revertida em apoio para sua família. Reforçando que nós também vamos apoiá-la de forma independente e paralela”, dizia trecho da publicação.

Além disso, a marca afirmou ainda que ia disponibilizar suporte psicológico e emocional “a todos os que necessitem através do nosso gente & gestão”. 

Internautas criticam o cupom da Farm

As críticas à postura da ‘Farm’ se multiplicaram rapidamente. O supostooportunismo‘ de usar um momento de dor terrível para lucrar e, de certa forma, se promover, foi veementemente desaprovada pelo público.

Imagina uma marca bilionária usar a morte de uma funcionária grávida pra ganhar dinheiro? É isso que tá rolando por aqui. PELO AMOR DE DEUS”, disse uma internauta. “Ajudar no enterro? Não… Vamos lucrar com a morte alheia”, comentou outra.

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“Vocês só podem estar brincando com a nossa cara. Tão tentando vender produto em cima da morte de uma pessoa negra“, disparou um internauta no Twitter. “Isso é um absurdo. Estão capitalizando em cima da morta de uma pessoa preta. Não gente, pelo amor de Deus não. Se querem ajudar, simplesmente ajudem, cupom? Não”, afirmou mais um.

Pedido de desculpas

A ‘Farm’ tirou a ação do ar e editou a legenda da publicação, pedindo desculpas pela atitude equivocada. Confira:

A Farm vem a público se desculpar pela ação que envolveu o uso do código de vendedora de Kathlen Romeu nesse momento tão difícil. Com vocês, entendemos a gravidade do que representou esse ato, por isso, retiramos o código E957 do ar. Continuaremos dando o apoio e suporte à família, como fizemos desde o primeiro momento em que recebemos a notícia”.

“Ainda não temos a data e o horário do enterro e nos comprometemos a divulgá-lo interna e externamente para todos que queiram possam acompanhar. Nosso time de VM e colegas de loja de Kathlen estão montando uma homenagem à ela, agora pela manhã, na fachada da nossa loja de Ipanema, onde Kath trabalhava“. 

“Sabemos que nada que fizermos poderá trazer Kath de volta mas nos comprometemos a acelerar ainda mais nossos processos de inclusão e equidade racial para transformar as cruéis estatísticas que levam vidas jovens negras como a de Kath a cada 23 minutos no nosso país“. 

As vidas de Kath e seu bebê importam. Vidas negras importam. Aqui, hoje, sempre. Transformar é urgente”. 

A líder de diversidade da ‘Farm’, Caroline Sodré, postou um vídeo falando sobre o assunto e prometeu “não fugir do B.O”. Segundo ela, a ideia de lançar o código aconteceu durante uma reunião com vários funcionários da marca e a intenção não era lucrar.

“No calor do momento achamos que seria de bom tom o time interno divulgar o cupom com o nome da Kath porque a gente queria usar esse lucro para reverter para auxílio da família. Pensamos no cupom porque era uma forma de outras pessoas também poderem contribuir, para além de outras ações internas que também visam o repasse de verbas”.

“A questão do código foi só um detalhe que, na euforia e na inocência, soltamos dentro de uma reunião e achamos que seria de bom tom. O ponto nunca foi sobre vendas, promover a Farm. Às vezes pode parecer que foi um posicionamento de marca, de empresários e isso foi construído por pessoas diversas, negras, LGBTQIA+, trans, pessoas que estão no comitê da Farm”, disse ela.

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