Do fundo do mar a campos de fazenda comuns, esses achados ficaram escondidos por gerações. Alguns esperaram milênios antes de voltar à luz.
A história de objetos perdidos encontrados séculos depois tem um fascínio que não envelhece. São peças que sumiram por guerras, naufrágios, saques ou simples esquecimento, e que reapareceram por acaso, muitas vezes nas mãos de pessoas comuns. Um pastor, um mergulhador de esponjas, um agricultor cavando um poço: todos eles, sem saber, tropeçaram em pedaços da história da humanidade. Reunimos 15 tesouros perdidos e reencontrados que passaram de centenas a milhares de anos escondidos. Prepare-se para uma viagem no tempo cheia de coincidências improváveis.
1. A Pedra de Roseta

Gravada por volta de 196 a.C. no Egito, a Pedra de Roseta traz um mesmo decreto em três sistemas de escrita: hieróglifos, demótico e grego antigo. Com o tempo, ela foi reaproveitada como material de construção e acabou embutida na parede de um forte perto da cidade de Rashid (Roseta).
Só em 1799, durante a campanha de Napoleão no Egito, soldados franceses a encontraram enquanto reforçavam o forte. O oficial Pierre-François Bouchard costuma levar o crédito pela descoberta. A peça virou a chave para decifrar os hieróglifos, num trabalho anunciado por Jean-François Champollion em 1822. Hoje ela está no Museu Britânico.
2. O Mecanismo de Anticítera

Em 1901, mergulhadores de esponjas exploravam um naufrágio antigo perto da ilha grega de Anticítera quando resgataram um bloco de bronze corroído. No ano seguinte, o arqueólogo Valerios Stais notou uma engrenagem embutida na massa metálica.
O objeto, hoje datado por volta de 100 a.C., é considerado o mais antigo computador analógico conhecido. Com dezenas de engrenagens, ele previa eclipses e rastreava a posição do Sol, da Lua e de planetas. De acordo com especialistas, nada de complexidade parecida voltaria a existir por cerca de 1.400 anos.
3. O Exército de Terracota

Em março de 1974, agricultores cavavam um poço perto de Xi’an, na China, quando encontraram fragmentos de figuras de barro. O achado levou a um dos maiores sítios arqueológicos do mundo: o Exército de Terracota do primeiro imperador da China, Qin Shi Huang.
São milhares de soldados em tamanho real, cada um com feições próprias, além de cavalos e carruagens. Enterradas por volta de 210 a.C. para “proteger” o imperador na vida após a morte, as figuras ficaram escondidas por mais de dois mil anos. Vale lembrar que a tumba principal do imperador segue sem escavação.
4. Os Manuscritos do Mar Morto

Por volta de 1947, um jovem pastor beduíno teria encontrado, numa caverna perto de Qumran, jarros de barro com rolos de pergaminho. Foi o começo da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, revelados em etapas entre 1947 e 1956.
Ao todo, foram reunidos cerca de 900 manuscritos em 11 cavernas, incluindo alguns dos mais antigos textos bíblicos conhecidos. Segundo os pesquisadores, os rolos ficaram escondidos por quase dois mil anos. São considerados um dos achados arqueológicos mais importantes do século 20.
5. O Tesouro de Staffordshire

Em julho de 2009, o detectorista Terry Herbert vasculhava um campo arado na Inglaterra quando começou a desenterrar ouro. O local, propriedade do agricultor Fred Johnson, guardava o Tesouro de Staffordshire, a maior coleção de metalurgia anglo-saxã em ouro e prata já encontrada.
São milhares de peças, quase todas ligadas à guerra, como ornamentos de espadas e capacetes. Os especialistas acreditam que o conjunto foi enterrado no século 7, entre 650 e 675 d.C., ou seja, ficou escondido por cerca de 1.300 anos. O motivo do enterro ainda é um mistério.
6. O Disco Celeste de Nebra

Descoberto em 1999 por dois caçadores de tesouros com detector de metais numa colina perto de Nebra, na Alemanha, o disco de bronze com incrustações de ouro é considerado a mais antiga representação concreta do cosmos.
Datado por volta de 1600 a.C., o Disco Celeste de Nebra mostra o Sol ou a Lua cheia, uma lua crescente e estrelas. Após passar pelo mercado ilegal, ele foi recuperado em 2002 numa operação policial. Em 2013, entrou para o registro “Memória do Mundo” da Unesco.
7. A Vênus de Milo

Em abril de 1820, um agricultor chamado Yorgos Kentrotas remexia entre ruínas na ilha grega de Milos, procurando pedras para construção. Em vez disso, desenterrou fragmentos de uma estátua de mármore que se tornaria uma das mais famosas do mundo: a Vênus de Milo.
A escultura, atribuída ao período helenístico e datada por volta do século 2 a.C., representa provavelmente a deusa Afrodite. Um oficial da marinha francesa presenciou o achado e ajudou a negociar a peça. Hoje ela está no Museu do Louvre, ainda sem os braços originais.
8. A Tumba de Tutancâmon

Depois de anos de escavações frustrantes, o arqueólogo britânico Howard Carter encontrou, em novembro de 1922, os degraus que levavam à tumba quase intacta do faraó Tutancâmon, no Vale dos Reis. O local estava selado havia mais de três mil anos.
Quando espiou pela primeira vez o interior à luz de uma vela, e foi perguntado se via algo, Carter deu uma resposta que entrou para a história:
Yes, wonderful things.
A frase, algo como “sim, coisas maravilhosas”, virou símbolo do momento. A tumba guardava milhares de objetos, incluindo a icônica máscara de ouro do faraó.
9. O Enterro de Navio de Sutton Hoo

Em 1939, a proprietária de terras Edith Pretty pediu ao arqueólogo autodidata Basil Brown que investigasse os montes de terra em sua propriedade, no leste da Inglaterra. Sob o maior deles estava a marca de um navio de 27 metros e uma câmara funerária repleta de tesouros.
O achado de Sutton Hoo, datado do início do século 7, incluía prataria bizantina, joias de ouro e um capacete de ferro que virou ícone. A descoberta mudou a forma como historiadores enxergavam o período. Acredita-se que o túmulo tenha pertencido a um rei da Ânglia Oriental.
10. O navio Mary Rose

O Mary Rose foi um navio de guerra favorito do rei Henrique VIII. Ele afundou em 1545, no estreito do Solent, durante um confronto com a frota francesa, levando consigo boa parte da tripulação.
O casco permaneceu no fundo do mar por mais de 400 anos. Localizado em 1971, foi finalmente erguido em 1982, num dos resgates marítimos mais complexos da história. Cerca de 60 milhões de pessoas acompanharam o momento pela TV. Milhares de objetos preservados na lama viraram uma cápsula do tempo da era Tudor.
11. O Tesouro de Cheapside

Em junho de 1912, operários demoliam um prédio antigo na região de Cheapside, em Londres, quando um deles atingiu, com a picareta, os restos de uma caixa de madeira. De dentro dela saíram centenas de joias.
O Tesouro de Cheapside é descrito como a maior coleção de joias das eras elisabetana e jacobina do mundo. Acredita-se que tenha sido enterrado por volta de 1640, provavelmente durante a turbulência da Guerra Civil Inglesa, e que ficou escondido por quase 300 anos. Quem o enterrou nunca voltou para buscá-lo.
12. O Tesouro de Hoxne

Em novembro de 1992, o jardineiro aposentado Eric Lawes saiu para ajudar um amigo agricultor, Peter Whatling, a procurar um martelo perdido num campo em Suffolk, na Inglaterra. O detector de metais apitou, e o que surgiu não foi o martelo: eram colheres de prata, joias e moedas de ouro.
O Tesouro de Hoxne é o maior conjunto de ouro e prata do fim da era romana já encontrado na Grã-Bretanha. Enterrado no início do século 5, ficou escondido por cerca de 1.600 anos. Inclusive, o martelo perdido acabou recuperado depois e também foi parar num museu.
13. O naufrágio de Uluburun

Em 1982, um mergulhador de esponjas chamado Mehmed Çakir descreveu ter visto “biscoitos de metal com orelhas” no fundo do mar, perto da costa sul da Turquia. Eram lingotes de cobre em forma de pele de boi, sinal de um naufrágio da Idade do Bronze.
O naufrágio de Uluburun, datado por volta de 1300 a.C., revelou uma das cargas mais ricas do período já encontradas no Mediterrâneo. Havia cobre, estanho, marfim, lingotes de vidro e objetos de várias culturas diferentes. Segundo os pesquisadores, o navio é um retrato do comércio internacional de mais de três mil anos atrás.
14. O navio Vasa

O Vasa era o orgulho da marinha sueca. No entanto, em 1628, ele afundou a poucos minutos de sua viagem inaugural, no porto de Estocolmo, por causa de um projeto instável que o deixou pesado demais na parte de cima.
As águas frias e pouco salgadas do Báltico preservaram a madeira de forma impressionante. Depois de 333 anos no fundo, o navio foi resgatado quase intacto em 1961. Hoje ele é a estrela do Museu Vasa, o único navio do século 17 preservado dessa forma no mundo.
15. O Tesouro de Panagyurishte

Em dezembro de 1949, três irmãos, Pavel, Petko e Michail Deikov, cavavam argila perto da cidade de Panagyurishte, na Bulgária, quando desenterraram nove vasos de ouro maciço.
O Tesouro de Panagyurishte é um dos conjuntos de ouro trácio mais impressionantes já encontrados. Datado da virada do século 4 para o 3 a.C., reúne uma taça, uma ânfora e sete rítons ricamente decorados. Acredita-se que tenha servido como um conjunto cerimonial de um governante trácio. Ou seja, ficou escondido por mais de dois mil anos até três operários mudarem a história da arqueologia búlgara.
E você, qual desses achados mais te surpreendeu?
Esses objetos perdidos e encontrados séculos depois mostram que a história pode estar bem debaixo dos nossos pés, esperando o momento certo (e a pessoa certa) para reaparecer. Por fim, fica a pergunta: se você pudesse desenterrar um único desses tesouros, qual escolheria? Marca aquele amigo apaixonado por história e conta pra gente nos comentários!

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