De ataques racistas a finais reescritos, as adaptações mais comentadas do estúdio viraram campo de batalha na internet. Nem sempre a nostalgia sai barata.
Os remakes em live-action da Disney se tornaram a aposta mais rentável e, ao mesmo tempo, mais barulhenta do estúdio. Cada anúncio de polêmica envolvendo elenco, roteiro ou mudanças de final rende semanas de discussão nas redes sociais, boicotes e até vetos em outros países. Além disso, o público que cresceu com as animações costuma cobrar fidelidade, enquanto uma nova geração pede releituras. O resultado é uma tensão que já explodiu várias vezes.
Reunimos abaixo oito adaptações que geraram controvérsia, com o que foi efetivamente registrado pela imprensa. Vale lembrar: parte das reações partiu de ataques discriminatórios, e isso está documentado em veículos como CNN Brasil, Terra e AdoroCinema.
1. “Branca de Neve” (Snow White), de 2025

Provavelmente o caso mais explosivo da lista. A escalação de Rachel Zegler, atriz de origem latina, no papel da princesa dividiu opiniões desde o anúncio, segundo o Correio Braziliense e o Estado de Minas. Em seguida, declarações da atriz sobre o clássico de 1937 esquentaram ainda mais o debate: ela afirmou que a nova versão traria uma protagonista voltada à liderança e à autodescoberta, e não uma jovem esperando por um príncipe.
Por outro lado, o posicionamento político das duas estrelas virou combustível. Zegler manifestou apoio à Palestina, enquanto Gal Gadot, que interpreta a Rainha Má, se posicionou publicamente ao lado de Israel. A Disney optou por uma estreia enxuta em Los Angeles, com cobertura de imprensa reduzida, de acordo com o Correio Braziliense. Segundo a revista Máxima, o filme chegou a ser banido de cinemas no Líbano, decisão atribuída à presença de Gadot em lista de boicote a Israel.
2. Os “anões” de “Branca de Neve” e a resposta da Disney

A mesma produção rendeu uma segunda controvérsia, essa sobre representação. O ator Peter Dinklage, conhecido por “Game of Thrones” e ativista pela inclusão de pessoas com nanismo, criticou no podcast “WTF” o fato de o estúdio modernizar a narrativa em termos raciais, mas manter o que considerou uma representação estereotipada dos sete anões.
Em resposta, a Disney reformulou os personagens e apresentou versões geradas por computador. Ou seja, tentou apagar um incêndio e acendeu outro: parte da comunidade de pessoas com nanismo reagiu mal, apontando que papéis como esses representam raras oportunidades de trabalho em grandes produções, conforme registrou o Papo de Cinema.
3. “A Pequena Sereia” (The Little Mermaid), de 2023

Quando Halle Bailey foi anunciada como Ariel, em 2019, a hashtag #NotMyAriel viralizou. A CNN Brasil relatou uma onda de comentários racistas contra a atriz, incluindo a circulação de uma versão do teaser digitalmente alterada para colocar uma mulher branca no lugar dela.
A Disney defendeu a escolha em nota publicada pela Freeform, canal do grupo, com um argumento que virou meme:
As sereias dinamarquesas podem ser negras, porque as pessoas dinamarquesas podem ser negras.
Comunicado da Freeform, canal da Disney, reproduzido pelo portal Terra.
Em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, Bailey disse que já esperava os ataques e reforçou o peso da representatividade para meninas negras.
4. “Mulan”, de 2020

Esse aqui virou caso geopolítico. Primeiro, a protagonista Liu Yifei expressou apoio à polícia de Hong Kong em meio aos protestos antigovernamentais, o que motivou a hashtag #BoycottMulan, segundo a agência AFP reproduzida pelo Correio Braziliense.
Depois, espectadores notaram nos créditos finais agradecimentos a órgãos do governo de Xinjiang, região da China acusada de violações de direitos humanos contra a minoria uigur. Entre os citados apareceu a agência de segurança pública de Turpan. O episódio ampliou a campanha de boicote, e a Disney não comentou publicamente os agradecimentos na ocasião, conforme noticiou a agência Lusa.
5. “Lilo & Stitch”, de 2025

O live-action estourou nas bilheterias, mas o final dividiu os fãs. Na animação de 2002, Nani conquista a guarda da irmã caçula. Já na nova versão, ela deixa Lilo aos cuidados de vizinhos próximos para estudar Biologia Marinha na Califórnia. Muita gente enxergou aí uma traição ao lema “Ohana significa família”.
O diretor Dean Fleischer Camp defendeu a mudança em entrevista ao “Deadline”, explicando que a ideia era ampliar o conceito de Ohana e refletir de forma mais realista as dificuldades da personagem. Inclusive, a crítica ganhou uma camada extra: a autora Mariah Rigg, nascida em O’ahu, afirmou ao Portal Tela que a escolha é problemática.
O filme original era contra o sistema colonial no Havaí.
Mariah Rigg, escritora havaiana, em declaração reproduzida pelo Portal Tela.
6. “Peter Pan & Wendy”, de 2023

A escalação de Yara Shahidi como Sininho rendeu ataques racistas nas redes sociais logo após o lançamento do primeiro trailer, conforme registraram o Terra e o portal Mundo Negro. Alguns internautas questionaram a cor da pele e o cabelo da personagem, tradicionalmente retratada como loira.
Além disso, a produção mexeu em outros pontos: os Meninos Perdidos passaram a incluir meninas e o grupo é liderado por Slightly, vivido por Noah Matthews Matofsky, apontado como o primeiro ator com síndrome de Down em papel de destaque em um filme da Disney.
7. “Aladdin”, de 2019

Antes mesmo de estrear, o filme foi acusado de brownface. A produção teria escurecido a pele de figurantes de pele clara para compor cenas de multidão, o que gerou pedidos de boicote nas redes, segundo a imprensa internacional que cobriu o caso na época.
Em resposta, a produção alegou que centenas de figurantes eram originários da Índia, da África e da Ásia, e que a maquiagem servia para integrar visualmente os poucos atores de pele clara à cena. A explicação, no entanto, não convenceu boa parte do público.
8. “O Rei Leão” (The Lion King), de 2019

Aqui a polêmica é estética. O remake dirigido por Jon Favreau apostou no fotorrealismo e abandonou a expressividade do desenho de 1994. Para muitos críticos, os personagens ficaram emocionalmente frios, justamente porque animais realistas não conseguem “atuar” como os originais desenhados.
O filme foi um sucesso comercial gigantesco, mas ficou com aprovação de 52% no Rotten Tomatoes, bem abaixo da nota do público, conforme levantamento reproduzido pela imprensa brasileira. Ou seja, virou o símbolo perfeito do debate: dá dinheiro, mas nem sempre emociona.
Menção honrosa: “Cinderela” (Cinderella), de 2015

Antes das grandes brigas na internet, a Cinderela de Lily James já tinha gerado burburinho por causa da cintura extremamente fina no vestido de baile. Surgiram rumores de dieta extrema e de manipulação digital da imagem.
A atriz explicou que usava um espartilho apertado e que o volume da saia acentuava a proporção. O diretor Kenneth Branagh também negou que a cintura tivesse sido alterada digitalmente.
Afinal, vale a pena tanta polêmica?
Em primeiro lugar, é impossível ignorar que os remakes seguem lucrativos. Por fim, também é evidente que o desgaste é real: cada novo anúncio já chega acompanhado de desconfiança. Entre modernizar demais e copiar demais, a Disney ainda não achou o ponto de equilíbrio.
E você, acha que os live-actions da Disney ainda têm motivo para existir ou o estúdio deveria apostar em histórias inéditas? Comenta aí e marca aquele amigo que jura que nenhum remake supera o desenho original.

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