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10 alimentos mais falsificados do mundo, segundo estudo

Você provavelmente já levou pelo menos um deles para casa. E o campeão do ranking está na geladeira de quase todo brasileiro.

A lista dos alimentos mais falsificados do mundo não tem itens exóticos. Pelo contrário: ela é dominada por produtos básicos. Leite, azeite, mel e carne lideram o levantamento. Ou seja, fraude alimentar não é só coisa de mercado paralelo.

Os dados saem de uma análise de 2024, no periódico científico “Journal of Food Protection”. Pesquisadores da FoodChain ID reuniram informações de empresas norte-americanas e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ao todo, eles examinaram mais de 15 mil registros públicos de fraudes. O recorte vai de 1980 a 2022.

Além disso, o problema tem escala global. A FDA, agência regulatória dos Estados Unidos, estima que 1% de todos os alimentos do planeta sofra algum tipo de fraude. Segundo a BBC News Brasil, isso gera prejuízos anuais na casa dos US$ 40 bilhões.

Mas o dado mais incômodo é outro. O mesmo levantamento aponta que 46% dos casos de adulteração oferecem algum risco potencial à saúde. Ou seja, não é só o seu bolso que perde.

Confira o ranking completo, da posição 1 à 10.

1. Leite de vaca

O líder absoluto é o mais banal dos produtos. No leite, a fraude mais comum é a diluição com água. O objetivo? Aumentar o volume e, com ele, o lucro.

O problema vem depois. Como a água derruba os indicadores de qualidade, entram em cena outras substâncias para disfarçar. Os registros apontam ureia, soda cáustica e água oxigenada.

No Brasil, o caso mais emblemático tem nome: Operação Leite Compensado. O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a primeira fase em 2013. As investigações identificaram esquemas de adulteração de leite cru com água e ureia contendo formol. Inclusive, várias fases da operação terminaram em prisões, empresas fechadas e cargas apreendidas.

2. Azeite de oliva extravirgem

O próprio Mapa confirma: o azeite de oliva extravirgem é o segundo produto mais fraudado do mundo. A lógica é simples. Produto caro, margem alta, fraude tentadora.

Na prática, os fraudadores misturam o azeite com óleos vegetais baratos. Soja e girassol estão entre os mais usados. No Brasil, aliás, o esquema tem endereço certo. Segundo o Mapa, a importação a granel costuma ser legal. O problema aparece na etapa seguinte, no envase.

É nesse momento que a fraude é realizada

Quem afirma isso é Ludmilla Verona, coordenadora de Fiscalização da Qualidade Vegetal do Mapa, em entrevista à Agência Brasil.

O ministério divulga listas periódicas de marcas desclassificadas. Em uma dessas ações, os fiscais apontaram 12 marcas com outros óleos vegetais não identificados. Além disso, a Receita Federal já havia suspendido ou baixado o CNPJ de parte dessas empresas.

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3. Mel

O mel ocupa o terceiro lugar. Aqui, a fraude engana até quem tem olho treinado.

Na adulteração direta, o fraudador mistura o produto com glicose ou xarope de frutose. Esses xaropes vêm da cana-de-açúcar ou do milho. No entanto, existe uma versão mais sutil do golpe. Nela, o produtor alimenta as próprias abelhas com xaropes açucarados. O resultado altera a composição final do mel.

Os números brasileiros impressionam. O Anuário 2025 do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) traz um dado forte. 26,15% das amostras oficiais de mel e produtos apícolas apresentaram alguma inconformidade. Para flagrar essas fraudes, os laboratórios oficiais usam análise isotópica do carbono C4.

Uma pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) investigou o mel de feiras livres. O professor Adailton Freitas, responsável pelo estudo, dá uma orientação direta ao consumidor.

Os méis regulamentados são comercializados com rótulo, selo de inspeção, número de lote

4. Carne bovina

A carne bovina aparece em quarto lugar. Os registros incluem venda de carne vencida e mistura com carne de outras espécies. Em alguns casos, os fraudadores ainda acrescentam proteína de soja e vísceras.

O caso mais famoso do gênero explodiu na Europa em 2013. Em janeiro daquele ano, exames encontraram DNA equino em hambúrgueres e lasanhas congeladas. Supermercados britânicos e irlandeses vendiam os produtos como carne bovina.

O escândalo se espalhou por vários países europeus. Anos depois, a Justiça francesa condenou responsáveis pelo esquema. Por outro lado, vale um registro importante. Carne de cavalo não faz mal à saúde, e vários países a consomem normalmente. O crime, aqui, foi a rotulagem mentirosa.

5. Pimenta chili em pó

Temperos em pó são prato cheio para fraudadores. Afinal, depois de moído, quase tudo se parece com quase tudo.

O levantamento internacional mostra o padrão. Na pimenta chili em pó, os adulterantes mais comuns são corantes artificiais, folhas, cascas e farinha de milho. Tudo isso aumenta o volume e derruba o custo.

O Brasil tem dados próprios sobre o tema. O Instituto Adolfo Lutz (IAL) analisou 180 amostras de seis tipos de especiarias e condimentos em pó. Páprica e pimenta-do-reino estavam entre elas. Ao todo, 16,1% das amostras traziam elementos estranhos ao produto. O amido de milho apareceu com mais frequência.

6. Azeite de oliva (não extravirgem)

O azeite aparece duas vezes no ranking. E não é coincidência. A versão comum, sem a classificação extravirgem, ocupa a sexta posição.

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Além da mistura com óleos baratos, entra outro golpe: a deturpação de origem geográfica. Nesse caso, o rótulo cita uma região prestigiada que nada tem a ver com a procedência real.

Enquanto isso, a fiscalização brasileira mantém o setor no radar. Em uma das operações, o Mapa recolheu quase 31 mil litros de azeite impróprio para consumo. O ministério também faz um alerta. Produtos fraudulentos costumam adotar nomes parecidos com os de marcas conhecidas.

7. Açafrão-da-terra em pó

Também conhecido como cúrcuma, o açafrão-da-terra virou queridinho da alimentação saudável. E popularidade, no universo das fraudes, funciona como ímã.

Em dezembro de 2023, o Instituto Adolfo Lutz publicou um estudo com 48 amostras de cúrcuma moída. As análises encontraram elementos de milho em 27% delas. Ou seja, alguém adicionou um ingrediente que o rótulo não declarava.

Fora do país, o caso é mais sério. Pesquisadores que analisaram amostras em Bangladesh identificaram cromato de chumbo, um pigmento amarelo, usado para intensificar a cor. Segundo os relatos da pesquisa, a prática teria começado nos anos 1980. Na época, enchentes prejudicaram a coloração das colheitas. Vale destacar um ponto: o chumbo é um metal pesado tóxico, associado a prejuízos cognitivos em crianças.

8. Leite em pó

O leite em pó aparece em oitavo lugar. E carrega o histórico mais trágico da lista. Em 2008, a China viveu um dos maiores escândalos alimentares já registrados.

Fraudadores adulteraram fórmulas infantis com melamina. Trata-se de uma substância rica em nitrogênio, usada na indústria de plásticos e resinas. O objetivo era simular um teor proteico maior. Isso funciona porque a análise de proteína mede o nitrogênio total.

As autoridades chinesas atualizaram os balanços ao longo de meses. Os números apontaram dezenas de milhares de bebês atendidos. Houve ainda milhares de internações e mortes confirmadas. Os quadros envolviam cálculos renais e falência renal. No entanto, vale frisar: o episódio foi pontual e não reflete o produto vendido no Brasil hoje.

9. Vodca

A vodca é o nono item mais falsificado do mundo. Já o grupo das bebidas alcoólicas, somado, ocupa a sexta colocação.

Assim como no leite, a fraude principal é a diluição. O risco cresce quando entra o metanol, também chamado de álcool metílico. Trata-se de um solvente industrial. Ele não deve estar presente em nenhum alimento.

Em 2025, casos de intoxicação por metanol mobilizaram autoridades brasileiras. As suspeitas recaíram sobre bebidas supostamente adulteradas. Em seguida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu recomendações aos estabelecimentos. Entre elas, controlar a origem dos produtos e guardar as notas fiscais.

A população não deve consumir produtos suspeitos de falsificação ou adulterados

O trecho consta em nota da Anvisa divulgada pela imprensa. O órgão pede que o consumidor denuncie suspeitas à vigilância sanitária.

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10. Ghee (manteiga clarificada)

Fechando o ranking está o ghee, a manteiga clarificada de origem indiana. Para produzi-la, o fabricante retira a água e os sólidos lácteos da gordura do leite.

O produto ganhou espaço no Brasil entre quem busca alternativas à manteiga tradicional. Justamente por ter valor agregado alto, entrou na mira dos fraudadores.

O estudo do “Journal of Food Protection” identificou o padrão dominante. Diluição e substituição de ingredientes foram as fraudes mais registradas no conjunto dos alimentos. Ou seja, a mesma lógica do azeite e do leite se repete aqui.

E o café? O Brasil tem sua própria lista

O ranking global não é o único mapa que importa. Por aqui, o Mapa mantém o Pnfraude. O programa define metas anuais de fiscalização para produtos mais expostos a fraudes.

Em 2024, o ministério priorizou cinco itens: café, azeite de oliva, farinha de mandioca, arroz e feijão. No arroz e no feijão, os fiscais miram principalmente a fraude econômica. Nela, o vendedor passa um produto inferior como se fosse superior.

O café adulterado merece atenção especial. As impurezas mais comuns no café torrado e moído são cascas, paus, milho torrado e cevada. Em setembro de 2025, uma fiscalização no Rio de Janeiro apreendeu 10 toneladas de café com indícios de adulteração. A informação é da TV Brasil.

Como não cair em produto falsificado

Não existe teste caseiro infalível. Desconfie de quem promete isso. Ainda assim, alguns cuidados reduzem bastante o risco. Confira:

  • Desconfie de preço muito abaixo do mercado. É o sinal de alerta mais consistente.
  • Evite produtos a granel ou sem rótulo. Sem rastreabilidade, ninguém confere a procedência.
  • Procure selos de inspeção. O SIF (Serviço de Inspeção Federal) e as versões estaduais servem de referência.
  • Confira lote, validade e CNPJ. Rótulo mal impresso ou com erros pede cautela.
  • Prefira pontos de venda formais. O comércio informal dificulta qualquer rastreio.
  • Denuncie o que parecer estranho. Mudanças bruscas de sabor ou aroma podem ir para o Mapa ou a Anvisa.

Por fim, os especialistas fazem uma ressalva importante. O medo de fraude não deve afastar ninguém dos alimentos in natura. Frutas, legumes e verduras seguem como prioridade em qualquer alimentação equilibrada.

E aí, você já desconfiou de algum produto que comprou? Marca aquele amigo que jura reconhecer azeite bom no olho. Depois, conta pra gente nos comentários se já caiu em alguma dessas.

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