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Vereador abre caixão com facão para ‘provar’ que causa da morte não foi Covid-19

O ato foi cometido por William Faria, que se revoltou com a impossibilidade da família de fazer um funeral digno

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um ato inesperado cometido por um vereador de Santa Bárbara do Leste – a 4 horas de Belo Horizonte, Minas Gerais – chocou moradores e autoridades do município.

O motivo? Ele abriu um caixão lacrado com a intenção de “provar” que o homem em questão não era mais uma vítima da Covid-19. 

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William Faria fez isso após se revoltar com o procedimento adotado pela prefeitura da cidade, que impede a família de organizar “um funeral digno”.

Segundo ele, nem sempre o vírus está ativo no cadáver e, por isso, o sofrimento da família em não poder se despedir poderia ser evitado. 

Na ocasião, que aconteceu no último domingo (25), o vereador William usou um facão para abrir o caixão lacrado para provar que o senhor de 92 anos, cujo corpo estava ali, não morreu por Covid-19 e sim por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

De acordo com o vereador, aquele homem, assim como tantas outras pessoas que tem morrido na cidade e no Brasil, não mereciam ser sepultados envolvidos em sacos plásticos. 

O que tem acontecido é a infecção pelo coronavírus causar complicações no organismo das pessoas, mas muitas delas perdem a vida vários dias depois, quando o vírus já não está mais ativo (logo, teoricamente, não há riscos de contaminação).

Contudo, mesmo nesses casos, as família não podem organizar o funeral para se despedir do ente querido.

A questão é pelo fato da Covid-19 ser uma doença nova, médicos e cientistas parecem não ter chegado a um consenso quanto a esses detalhes. Enquanto isso, protocolos são seguidos pelas prefeituras dos municípios brasileiros.

O momento em que o vereador rompe o lacre do caixão foi filmado e o vídeo postado nas redes sociais. Veja:

Como era de se esperar, o vídeo viralizou e acabou chegando ao conhecimento de policiais civis da cidade de Santa Bárbara do Leste – que iniciaram uma investigação em que o vereador será acusado pelo crime de Infração de Medida Sanitária Preventiva (Art. 268 do Código Penal).

De acordo com a Polícia Civil, o atestado de óbito atribuiu a causa da morte à síndrome respiratória e não à covid-19, pois o resultado do exame RT-PCR não saiu. Este documento sim vai determinar se a covid-19 foi a causadora da SRAG.

O procedimento adotado para lacrar o caixão foi correto, de acordo com a Polícia Civil, porque o homem apresentava os sintomas clássicos da covid-19 e, neste caso, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde determinam que seja feito assim, para evitar contaminação. 

A Prefeitura de Santa Bárbara do Leste emitiu uma nota lamentando o ocorrido e afirmando que a autoridade quanto aos protocolos do enterro de vítimas da pandemia é de poder do executivo. Leia um trecho:

“Ele chamou ao cemitério uma representante da Vigilância Sanitária que ficou sem ação diante do fato, pois, quando chegou ao local, o caixão já havia sido aberto. E, por pressão do vereador, a funcionária ficou sem ação e concordou com ele com relação ao enterro. Porém, a definição de protocolos referentes a funerais cabe ao estado e não ao município“. 

O Presidente da Câmara de Santa Bárbara – o vereador Altair Nunes Ferreira (MDB) – também se manifestou sobre a polêmica. Ele disse que William Faria será ouvido por uma Comissão Parlamentar de Inquérito. 

“Tão logo esse processo seja instaurado, daremos mais informações sobre esse lamentável evento“, afirmou.

William se defendeu das críticas dizendo que lamenta a posição do presidente da Câmara e afirmando que sua função é fiscalizar, estar ao lado do povo. Ele voltou a afirmar que o homem cujo corpo estava no caixão que ele abriu, não morreu vítima da covid-19!

Nesta segunda (26), o Brasil passou de 392 mil mortes por covid-19. Ao todo, foram registrados 14.370.456 de casos no país, desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas, o país registrou 1.279 mortes pela covid-19.

Mas, pela primeira vez, “todos os estados e o Distrito Federal apresentam tendência de estabilidade ou queda nas curvas de mortes; apenas Bahia não atualizou dados” – as informações são do G1.

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