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Cuidado com o que fala! Mulher é indiciada pela polícia por áudio no WhatsApp

Apesar de a mensagem ter sido enviada em um grupo privado, a mulher foi acusada pelo crime de injúria racial

Fotos: Reprodução

Um comentário racista feito, em áudio, por uma moradora da cidade de Santo Antônio do Amparo, Minas Gerais (a 190 quilômetros de Belo Horizonte), após concurso de beleza municipal virou caso de polícia e está sendo noticiado em todo o Brasil.

Mesmo com a mensagem tendo sido enviada em um grupo privado, Nair Amélia Avelar Rodrigues foi indiciada pela Polícia Civil após enviar áudios de WhatsApp com conteúdo ofensivo aos negros.

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Ela inicia criticando a escolha de Maíza Teresa de Oliveira, de 19 anos, como ‘Rainha da Cidade’ no concurso organizado e realizado pela prefeitura dia 12 de junho.

O motivo do descontentamento de Nair foi o fato da vencedora, Maíza, ser negra. Segundo ela, os brancos estão sendo prejudicados em diferentes contextos na sociedade, pois os negros estão “ganhando tudo agora”.

“Gente, eu estava na roça e agora que eu vi o resultado. Ah, vou contar uma coisa procês: esse negócio de inclusão social tá foda. É os preto é que tá mandando em tudo mesmo. É cota na escola, é cota aqui, é cota ali…E os brancos tão levando tinta”, diz Nair no áudio.

Ela ainda sugeriu uma solução para pessoas brancas voltarem a vencer concursos.

“Da próxima vez, nós temos que pular num tanque de creolina e sair tudo pretinha, aí pode se candidatar a qualquer coisa que ganha”, concluiu Nair, que assumiu para a polícia a autoria dos comentários racistas. 

Ouça o áudio a partir de 1 minuto e 33 segundos do vídeo abaixo:

Áudio polêmico vira caso de polícia

Maíza Teresa de Oliveira, vítima das declarações racistas, disse que quando ouviu o áudio pela primeira vez não quis denunciar. Mas depois de um tempo viu o quanto aquela mensagem tinha a afetado negativamente. 

“Na hora eu falei, ah, deixa, isso não vai fazer diferença na minha vida, mas depois que vai passando o tempo, você vai vendo o peso que isso é, aí isso foi me incomodando de uma forma que eu nunca me senti incomodada”.

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“Quando a gente vê o racismo contra a pessoa dói na gente, agora você imagina o racismo ser com você, dói muito mais“, afirmou a vencedora do concurso em entrevista ao G1.

Segundo ela, as brincadeiras com relação a sua aparência não são de hoje.

Eu já fui muito zoada pela minha aparência, já fui muito zoada pela minha forma de ser e de falar e hoje ser rainha da cidade é uma conquista muito grande pra mim”, disse a jovem no dia da coroação.

No dia do desfile do concurso, Maíza foi atacada. Mas ela transformou aquelas palavras em força para se sair ainda melhor na passarela.

“Quando eu tava no salão, me maquiando, eu recebi o áudio de uma mulher me zoando o jeito que eu estava falando, no dia do desfile, antes de desfilar, ela estava zoando meu jeito de falar e aquilo mexeu muito comigo, eu comecei a chorar, estragou toda a maquiagem, acho que essa crítica me deu força para ser melhor ainda, afirmou a nova ‘Rainha da Cidade’.

Eu consegui erguer a minha cabeça e vou continuar porque eu sei que muita gente se inspira em mim e eu quero mostrar para elas que se um dia acontecer com elas é para elas lutarem também porque isso é crime e a gente não pode deixar passar em branco, disse a jovem.

Um dos filhos da mulher, indiciada pelo crime de racismo, disse que a mãe só expressou uma opinião, que foi compartilhada fora de contexto. Ele e a mãe preferiram não gravar entrevista para a EPTV Sul de Minas, Afiliada TV Globo.

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Organização do Concurso de Beleza se pronuncia

De acordo com o organizador do concurso, o diretor de Esporte, Cultura e Turismo da Prefeitura de Santo Antônio do Amparo, Vinícius Alves Isídio, a competição de beleza era conhecida na cidade como um evento elitista.

Para este ano, eles mudaram as regras e tornaram mais acessível para pessoas diferentes participarem.

“O baile da cidade sempre foi visto de uma forma elitizada, sempre poucas famílias participavam desse baile, este ano a gente quis fazer o baile realmente para toda a população de Santo Antônio do Amparo.”

Sobre o caso de racismo, ele é enfático: “a gente não pode deixar isso abalar a gente, nem achar que a gente está errado por essas coisas terem acontecido, a gente tem que levar o que de positivo a gente trouxe e eu acho que o objetivo a gente conseguiu”, afirmou Vinícius ao ‘G1’.

A Prefeitura de Santo Antônio do Amparo disse, através de um perfil oficial nas redes sociais, que lamenta e repudia qualquer tipo de preconceito e que “reitera o compromisso com o enfrentamento e combate a todo tipo de discriminação”.

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